terça-feira, 14 de julho de 2026

Precisamos Mesmo de um Salvador?

  

 

Surgimos neste mundo desprovidos de conhecimento. À medida que amadurecemos, somos bombardeados por um fluxo incessante de informações; ainda assim, ao observarmos o mundo à nossa volta, ele permanece como um grande enigma. Não testemunhamos a formação do universo, o surgimento da primeira forma de vida ou sequer guardamos memória do nosso próprio nascimento.

Despertamos, subitamente, em uma sociedade já estruturada, com seus edifícios, tecnologias e complexos saberes. Tudo o que sabemos sobre o passado repousa sobre registros históricos ou teorias científicas — muitas das quais, por natureza, especulativas. A vida assemelha-se a um despertar em um lugar desconhecido, cuja existência preexistia ao nosso chegar e, muito provavelmente, perdurará após a nossa partida. Pessoas emergem e desaparecem constantemente deste cenário e, sob um olhar estritamente materialista, tal fluxo pode parecer destituído de sentido.

A mente humana, contudo, transcende a dos demais seres vivos ao ser a única capaz de refletir sobre a própria existência. Ao examinarmos o mundo com maior atenção, percebemos que ele não é um mero acidente, fruto de tentativas e erros aleatórios. Ele é um sistema engenhoso, regido por regularidades universais, precisas e matematicamente interligadas.

Embora Deus não se manifeste explicitamente em um espetáculo grandioso, a evidência de Sua existência é, por vezes, tão latente que até tribos isoladas da civilização cultuam o sagrado. A percepção de um Criador — de uma inteligência que arquitetou o universo e a vida — parece ser intrínseca à natureza humana, constituindo a fonte primordial de nossas crenças e religiões.

Uma interrogação persiste na mente humana através das eras: 'Será que estamos sozinhos neste vasto universo?'



Ao contemplarmos o céu noturno, deparamo-nos com incontáveis pontos luminosos em um firmamento silencioso. A ciência nos revela que esses focos de luz são, em sua maioria, estrelas colossais — muitas vezes superando em magnitude o nosso próprio Sol — além de planetas, nebulosas, galáxias e buracos negros. Estamos diante de uma imensidão que desafia a nossa capacidade de exploração. Na tentativa de romper esse silêncio, a humanidade já enviou sondas carregadas com a essência da vida terrestre, sons, imagens e sinais de rádio; contudo, o cosmos permanece imperturbável, sem que tenhamos detectado qualquer sinal de uma inteligência receptora do outro lado.

No entanto, enquanto buscamos por sinais nas estrelas, registros de um povo antigo narram um contato singular: um encontro não com seres do cosmos, mas com um Ser que se revelou como o nosso Criador.

Esse Ser interagiu com diversos indivíduos ao longo da história, como Adão, Eva, Caim, Abel, Enoque e Noé. Contudo, foi por meio de um livro escrito entre 1445 e 1405 a.C., por um homem chamado Moisés, que a narrativa da criação nos foi transmitida em detalhes, sob a inspiração e direção desse Ser que se apresenta como o Arquiteto de tudo.

Segundo o livro de Gênesis, Aquele a quem chamamos de Deus criou o universo em seis dias, estabelecendo o sétimo como o marco de Sua obra concluída. Ele forjou um planeta singular, dotado das condições perfeitas para sustentar a vida. Dentre todas as Suas criaturas, o ser humano destaca-se como a obra-prima divina, criado à imagem e semelhança do Criador. Essa expressão, 'imagem e semelhança', transcende o aspecto físico; ela designa nossa capacidade única de interagir com o Divino, sendo o homem — por definição — o único ser racional capaz de consciência e comunhão com seu Criador.

Originalmente, o ser humano foi criado em um estado de inocência, sem a necessidade ou a capacidade de julgar o bem e o mal por conta própria. Essa condição era, em certo sentido, uma proteção: na ausência de uma consciência moral autônoma, a humanidade desfrutava de uma isenção de responsabilidade direta diante do Criador.

Ao estabelecer o primeiro casal no Éden, Deus explicou que aquela inocência era o estado ideal para a comunhão. Contudo, Ele concedeu-lhes o livre-arbítrio, oferecendo a possibilidade de adquirir o discernimento moral, mas advertindo, com clareza absoluta, sobre o preço dessa escolha: uma vez desperta a consciência do bem e do mal, a humanidade tornar-se-ia passível de julgamento e punição.

A árvore que simbolizava esse conhecimento foi posicionada estrategicamente no centro do jardim, assegurando o direito de escolha. O fato de o casal, a princípio, contemplar os frutos sem tocá-los indica que, inicialmente, eles optaram por confiar no conselho divino.

Entretanto, a narrativa da queda não é exclusiva da esfera humana. Deus também criara seres celestiais — inteligentes e racionais — que compartilhavam da Sua presença. Ao contrário dos humanos, estes seres já possuíam a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Infelizmente, uma terça parte desses anjos rebelou-se contra o Criador com plena consciência de seu erro. Derrotados na batalha espiritual, foram expulsos da presença divina, passando a habitar o aēr (o 'ar'): a esfera invisível que circunda a Terra, situada entre o plano divino e o nosso mundo.

Incapazes de ferir a Deus diretamente, esses seres buscaram atingi-Lo através de Sua criação mais querida. O objetivo era incitar o ser humano à mesma rebelião: bastava convencer o homem a desobedecer, escolhendo o que Deus havia classificado como nocivo. Esse ato representava uma tentativa de emancipação humana, uma busca por autonomia absoluta, sem a necessidade da orientação divina.

Ao adquirir esse conhecimento, o homem tornou-se 'como Deus' no que diz respeito à distinção moral, mas o preço foi devastador. Ao romper o vínculo com a Fonte da Vida, a humanidade encontrou a morte — tanto física quanto espiritual. O homem tornou-se como um ramo recém-cortado de uma árvore: pode permanecer viçoso por um breve período, mas, privado do fluxo vital que o sustentava, começa a secar inevitavelmente até o fim de sua existência.

O ser humano encontrava-se, agora, em uma situação de profunda desolação. Ao adquirir a capacidade de discernir o certo do errado, a humanidade viu essa faculdade tornar-se um fardo: sempre que falhavam, a consciência da transgressão tornava-se inevitável. Perderam a inocência e, consequentemente, tornaram-se sujeitos ao julgamento divino, partilhando o mesmo destino dos anjos rebeldes.

Incapazes de dominar seus impulsos pecaminosos, mergulharam cada vez mais em um abismo de afastamento da santidade de Deus. A condição humana passou a assemelhar-se a alguém em areias movediças: quanto mais desesperadamente tentavam se libertar por conta própria, mais se afundavam.

Nessa busca por autonomia, o trabalho transformou-se em um esforço árduo, uma realidade distante do cuidado pleno antes provido pela mão divina. Com o passar das eras, a humanidade expandiu-se: cidades floresceram e sociedades complexas foram erguidas. Contudo, todos os descendentes de Adão e Eva herdaram não apenas a vida, mas a mesma faculdade de discernir o bem do mal, perpetuando o ciclo do pecado e a urgente necessidade de uma reconciliação que o homem, por seus próprios meios, jamais alcançaria.

Todavia, Deus, em Sua justiça, não permitiria que a humanidade caminhasse irremediavelmente para o abismo dos anjos caídos. Reconhecendo que o homem foi vítima de um ardil, enquanto a rebelião angélica fora um ato de plena consciência, o Criador preparou o caminho para a redenção. Durante séculos, Ele falou por meio de profetas, prometendo a vinda de um Messias — o 'Ungido'. Este Ser não seria um mero líder, mas alguém divinamente capacitado para cumprir uma missão singular: resolver a raiz do dilema humano.

Cegos pelo pecado, os líderes religiosos e estudiosos da época interpretaram as promessas à luz de suas próprias aflições políticas. Subjugados por impérios estrangeiros e obrigados a pagar impostos a governantes pagãos, os israelitas viam a sua condição como uma humilhação insuportável. Israel passou, então, a ansiar por um Messias que fosse um rei militar, alguém que governasse com mão de ferro, libertasse a nação do jugo estrangeiro e restaurasse a glória de Davi.

Os judeus acreditavam que seus problemas eram políticos, quando, na verdade, eram espirituais. A rebelião contra Deus e a consequente separação entre a criatura e seu Criador constituíam o verdadeiro âmago da crise humana; todo o restante não passava de mera distração.

O povo buscava uma solução política para um problema de ordem espiritual. Deus não enviaria o Seu Ungido para vencer guerras territoriais, mas para restaurar a conexão rompida desde o Éden. Se o ser humano, no jardim, aderira à rebelião espiritual iniciada pelas potestades celestiais, a missão do Messias seria ensinar a humanidade a abandonar essa revolta e, finalmente, reconectar-se com o Criador.

Essa reconciliação concretizar-se-ia por meio de Jesus, o Messias. Dado que Deus é perfeitamente justo, a realidade do pecado exigia uma sentença; a humanidade, tendo aderido à rebelião dos anjos caídos, partilharia inevitavelmente do seu destino: a condenação eterna.

Contudo, em Sua infinita sabedoria, Deus estabeleceu um caminho de redenção. Assim como, no Antigo Pacto, os sacerdotes ofereciam sacrifícios pelos pecados da comunidade, o próprio Deus proveu o sacrifício definitivo para o perdão da humanidade. Seu Filho, por livre e espontânea vontade, assumiu a culpa e o castigo destinados a nós. Desta forma, Deus manteve a integridade de Sua justiça — punindo o pecado como ele exige — mas, ao fazê-lo por meio de um Justo que substituiu a humanidade, abriu as portas para a misericórdia e a restauração.



Assim, um novo pacto foi estabelecido entre o Criador e a humanidade. As portas da eternidade estão abertas a todos, independentemente do passado ou da condição presente. Qualquer indivíduo está convidado a receber o perdão e ter seu nome inscrito no Livro da Vida — sem distinção de raça, classe social ou nível de instrução. O convite à vida eterna é universal e pessoal: ele estende-se a você.

Assim como Adão e Eva possuíram o direito à livre escolha no Éden, você detém esse mesmo poder agora. Você pode optar por permanecer na rebelião — seguindo o destino dos anjos caídos — ou aceitar o presente da reconciliação, livrando-se do juízo. É por essa razão que os Evangelhos, onde Deus revela esse plano à humanidade, são definidos como o 'Evangelho': as Boas-Novas que transformam o destino de quem as acolhe.

Não é maravilhoso saber que seu destino eterno depende única e exclusivamente de você?

 

Para quem recusa o convite

É possível negar este convite? Certamente, pois o Criador lhe concedeu o livre-arbítrio. Contudo, é preciso estar ciente das consequências: ao rejeitar a oferta de reconciliação, resta apenas a brevidade desta vida. Após a morte, haverá o prestar de contas diante de Deus, em que a justiça será aplicada aos atos cometidos. Como o atual mundo, contaminado pelo pecado, será transformado, não haverá lugar nele para quem optou pela rebelião. Se essa é a sua escolha, aproveite o tempo que possui, pois a existência longe da Fonte da Vida é, por definição, efêmera.

Para quem aceita o convite

Ao dizer "sim" a Deus, o primeiro passo é o arrependimento — um redirecionamento genuíno da sua vontade. Seus erros passados não apenas são perdoados, mas cobertos, transformando você em uma nova criatura, vocacionada para a eternidade. É por isso que se faz necessário "negar este mundo": não se trata de buscar a perfeição absoluta, mas de assumir um compromisso com a verdade.

Deus não exige que você seja impecável, pois Ele conhece a nossa fragilidade; o que Ele propõe é uma luta constante contra a nossa própria natureza pecaminosa. Muitos apontam Satanás como o maior inimigo, mas a Bíblia sugere que o verdadeiro desafio reside na nossa própria inclinação para o erro. É por essa razão que o Caminho é estreito e exige perseverança. O Reino dos Céus não é destinado a quem se entrega à própria fraqueza, mas aos que, fortalecidos pelo exemplo de Jesus, triunfam sobre a própria natureza e sobre o mundo.

 

O Testamento e a Herança

Todos os que acolhem o pacto de salvação, mediado por Jesus, tornam-se, por adoção, filhos de Deus. Passamos a integrar uma vasta família espiritual, onde o Criador é o nosso Pai. Podemos compreender essa união através da analogia da árvore: Deus é a Fonte inesgotável de vida, e nós somos os Seus ramos. Por causa da rebelião, fomos cortados dessa conexão, sofrendo o definhamento e a morte espiritual. Contudo, por meio do novo pacto, somos enxertados novamente, voltando a receber a energia vital que sustenta a nossa existência.

A vida eterna é a herança prometida aos Seus filhos, e a Bíblia funciona como o Testamento que descreve os termos dessa sucessão. Como em qualquer testamento legal, há preceitos e compromissos que o herdeiro deve observar para o pleno usufruto dessa promessa.

A fé, portanto, vai muito além de uma declaração verbal; exige uma transformação profunda, de dentro para fora. Ao aceitar o pacto, você morre para os valores deste mundo e passa a viver exclusivamente para o Reino de Deus. É natural que essa mudança gere resistência naqueles que permanecem na rebelião, e que tentem desviá-lo do Caminho. Permaneça inabalável, pois o Reino dos Céus é reservado àqueles que, pela perseverança e pela fé, demonstram a força daqueles que já venceram o mundo.

 


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Os três primeiros capítulos do meu novo livro, para a degustação dos leitores desse blog...



Capítulo 1 - O Nascimento

O mistério sobre a data do nascimento de Jesus

Ninguém conhece a data exata do nascimento de Jesus. Estranhamente, todos os que escreveram sobre ele omitiram esse detalhe. Nem mesmo Lucas, que no início de seu Evangelho afirma ter feito um rigoroso trabalho de historiador — investigando cuidadosamente os acontecimentos e consultando testemunhas oculares para compor um relato detalhado —, mencionou a data. Devido a essa lacuna, a tradição cristã acabou estabelecendo o mês de dezembro para a comemoração.

Por que Jesus dificilmente nasceu em dezembro?

Dezembro é um mês caracterizado por chuvas e frio intenso na região da Judeia. Até hoje, agências de viagens recomendam evitar o destino nessa época. O relato bíblico, porém, menciona pastores cuidando de seus rebanhos no campo (Lucas 2:8), o que seria inviável durante o inverno rigoroso da região.

Além disso, a narrativa dos magos do Oriente, que se guiaram por uma "estrela", sugere um céu límpido, sem a nebulosidade comum ao inverno local. Outro ponto relevante é o censo ordenado pelo Império Romano. A necessidade de deslocamento obrigatório para que os cidadãos se registrassem em suas cidades de origem tornaria logisticamente impossível a realização de um censo em pleno inverno, com estradas lamacentas e condições climáticas adversas. Para fins de arrecadação de impostos e organização populacional, o imperador logicamente escolheria um período de clima mais favorável.

O erro do "ano 1" e a morte de Herodes

Segundo o Evangelho de Mateus, Herodes, o Grande, governava a Judeia quando Jesus nasceu e foi ele quem ordenou a matança dos inocentes em Belém. Contudo, historiadores estabelecem que Herodes morreu por volta de 4 a.C. Isso cria uma contradição cronológica: de acordo com o calendário gregoriano, ele teria morrido antes do nascimento de Cristo.

Como entender essa discrepância?

O sistema de contagem dos anos a partir do nascimento de Jesus foi idealizado no século VI por Dionísio, o Exíguo. Sua intenção era substituir o calendário baseado nos reinados dos imperadores romanos por um marco cristão. A iniciativa foi pioneira, mas o cálculo apresentou falhas:

  1. A falha histórica: Dionísio não considerou com precisão a data da morte de Herodes. Como Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, ele obrigatoriamente nasceu antes do "ano 1" do calendário cristão.
  2. A ausência do ano zero: O sistema de Dionísio salta de 1 a.C. diretamente para 1 d.C., o que gera um deslocamento na contagem.
  3. Limitações da época: Dionísio não tinha acesso aos registros historiográficos que possuímos hoje, baseando-se em cronologias muitas vezes contraditórias.

Atualmente, a maioria dos historiadores converge para a ideia de que Jesus nasceu entre 6 a.C. e 4 a.C. Portanto, nosso calendário está "atrasado" em cerca de 4 a 6 anos em relação à realidade histórica, embora seja mantido por ser o padrão global vigente.

A confirmação através do ministério de Jesus

Um detalhe no Evangelho de Lucas reforça a tese de que Jesus nasceu antes do ano 1. Lucas 3:23 menciona que Jesus tinha "cerca de trinta anos" quando iniciou seu ministério, coincidindo com o 15º ano do reinado de Tibério César.

Como Tibério assumiu o trono em 14 d.C., o 15º ano de seu governo corresponde aos anos 28–29 d.C. Se Jesus possuía aproximadamente 30 anos nesse período, a conta recua naturalmente para o intervalo entre 6 a.C. e 4 a.C.

Nota: Na época, não existia a distinção "a.C." e "d.C.". Os anos eram contados a partir da ascensão dos imperadores. Lucas utiliza o "ano 15" de Tibério como referência cronológica clara para seus leitores contemporâneos.

 

O mistério da Estrela de Belém: um fenômeno real?

A narrativa bíblica descreve os magos do Oriente sendo conduzidos por um astro luminoso. Mas, afinal, o que teria sido essa "estrela"? Astrônomos e historiadores debatem a questão há séculos, propondo hipóteses fascinantes baseadas em registros antigos que coincidem com a janela cronológica do nascimento de Jesus.

 

A hipótese da "estrela convidada" (Supernova)

Uma das teorias mais fortes sugere que o fenômeno foi uma nova ou supernova — a explosão catastrófica de uma estrela que, por um período, brilha com uma intensidade colossal, tornando-se visível mesmo à luz do dia.

 

O principal embasamento para essa ideia vem da China antiga. O "Livro de Han" (Han Shu), uma das crônicas mais importantes da história chinesa, registra o surgimento de uma "ke xing" (estrela convidada) no segundo mês do segundo ano do período Jianping, correspondente a março ou abril de 5 a.C.:

 

"No segundo mês do segundo ano do período Jianping, apareceu uma estrela convidada em Ch'ien-niu por mais de setenta dias."

 

O termo Ch'ien-niu refere-se a uma região próxima às modernas constelações de Águia e Capricórnio. A descrição de um objeto que permanece visível por cerca de 70 dias e desaparece subitamente é compatível com o comportamento de uma supernova. Além disso, essa posição seria visível no céu matutino, o que dialoga com a expressão grega en anatole, frequentemente traduzida como "no Oriente" (ou "ao nascer"), sugerindo que os magos observaram o astro em sua ascensão helíaca.

 

A hipótese da conjunção planetária

Outro grupo de estudiosos defende que a "estrela" não foi um objeto único, mas um alinhamento planetário. Conjunções raras podem gerar um brilho intenso e diferenciado no céu noturno, atraindo a atenção de observadores atentos como os magos.

Registros conhecidos como Diários Astronômicos Babilônicos — tabletes cuneiformes que documentam minuciosamente fenômenos celestes — confirmam um evento notável ocorrido em 7 a.C.: uma tripla conjunção entre Júpiter e Saturno na constelação de Peixes.

 Os dois planetas pareceram aproximar-se três vezes ao longo daquele ano (maio, setembro e dezembro).

Para a astrologia da época, Júpiter era frequentemente associado ao "Rei" e Saturno ao povo judeu; portanto, um alinhamento desses dois astros na constelação de Peixes poderia ter sido interpretado pelos sábios da Mesopotâmia como um sinal messiânico ou real.

Nova ou Conjunção?

Enquanto a hipótese da supernova (baseada nos registros chineses) explica melhor a descrição de uma "estrela nova" que surge e desaparece, a conjunção planetária (baseada nos diários babilônicos) oferece uma explicação astronômica previsível e carregada de simbolismo para a época.

Ambas as teorias possuem pontos fortes e demonstram que, independentemente da natureza exata do fenômeno, o céu daquela época certamente exibiu espetáculos astronômicos incomuns que justificariam o interesse dos estudiosos de então.

 

Os "Três" Reis Magos

Estamos acostumados com a imagem clássica dos três reis magos que visitaram o menino Jesus. No entanto, uma leitura atenta do texto bíblico revela que a história popular difere consideravelmente do relato original.

1. Eles não eram reis

Ao contrário da tradição consolidada, a Bíblia não confere título de realeza a esses visitantes. Mateus 2:1 refere-se a eles simplesmente como "magos". O termo, no grego original (magoi), designava uma casta de sábios persas, especialistas em astrologia, astronomia, medicina e ciências naturais da época.

2. O número de visitantes é desconhecido

As Escrituras nunca especificam quantos magos viajaram até Belém; mencionam apenas que foram "uns magos". A crença de que eram três surgiu apenas no século III, por dedução de Orígenes, um importante teólogo da Igreja Primitiva. Ele associou o número ao fato de terem sido oferecidos três presentes: ouro, incenso e mirra.

3. A origem dos nomes

A Bíblia também não registra os nomes dos magos. Foi somente a partir do século VIII que surgiram as primeiras denominações: Bithisarea, Melchior e Gathaspa. No século IX, o historiador Agnello de Ravena, em sua obra Pontificalis Ecclesiae Ravennatis, adaptou essas nomenclaturas para o que conhecemos hoje: Gaspar, Melchior e Baltazar.

 

A cidade em que Jesus nasceu

Belém, no século I, não era uma metrópole ou um centro de poder; tratava-se de uma modesta aldeia agrícola, sem o peso político ou econômico de Jerusalém. Contudo, sua importância era imensurável para o imaginário religioso judaico, sendo a terra natal do rei Davi e o local apontado pelas escrituras como o local em que o Messias iria nascer:

 

"E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel; e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." (Miqueias 5:2) 

 

A jornada de Nazaré

Embora Belém fosse o destino profético, ela não era o lar de José e Maria. Eles residiam em Nazaré, uma pequena cidade na região da Galileia. A presença do casal em Belém na ocasião do nascimento de Jesus ocorreu devido ao censo ordenado pelo Império Romano, que obrigou os descendentes da linhagem de Davi a retornarem à sua cidade de origem para o devido registro.

 

Um desafio logístico

A distância entre Nazaré e Belém é de aproximadamente 150 quilômetros. Nos dias de hoje, percorremos esse trajeto em pouco mais de duas horas de carro; contudo, para uma família na época, tratava-se de uma verdadeira expedição.

Estima-se que a viagem tenha durado entre quatro a sete dias. Além dos obstáculos naturais e do cansaço físico — agravado pelo fato de Maria estar em estágio avançado de gravidez —, o percurso era frequentemente prolongado.

Para piorar, é muito provável que o casal tenha evitado cruzar a região da Samaria, o caminho mais curto entre a Galileia e a Judeia, devido às tensões religiosas e históricas intensas entre judeus e samaritanos, optando por rotas alternativas que tornaram a jornada ainda mais longa e demorada.

A cidade de Belém existe até hoje e se localiza na Cisjordânia.

 

 

Capítulo 2 - A Infância de Jesus

 

Estranhamente, a Bíblia quase não fala a respeito da infância de Jesus. Aparentemente os evangelhos focaram mais no ministério de Jesus, que começou por volta de seus trinta anos de idade. Pouco sabemos sobre os "anos ocultos" de Jesus.

Lucas revela que, enquanto Jesus crescia e ficava fisicamente mais forte, ele também se enchia de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele (Lucas 2:40).

Lucas também menciona um fato ocorrido quando Jesus tinha apenas doze anos. Jesus tinha ido com seus pais até a cidade de Jerusalém, durante a Páscoa. Quando estavam retornando, perceberam que Jesus não estava no grupo e voltaram para procurá-lo. Encontraram-no, pois, conversando com alguns doutores da Lei, que estavam maravilhados com a sabedoria do menino. Ao ser questionado por seus pais, respondeu com uma pergunta: ― Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devo estar envolvido nos assuntos do meu Pai?

Isso sugere que Jesus possuía consciência de seu messianato e de sua natureza divina desde a infância.

A passagem termina dizendo que Jesus "voltou com eles para Nazaré e lhes era obediente" (Lucas 2:51).

Nota-se que Lucas retrata o jovem Jesus como alguém sábio, abençoado por Deus e obediente aos pais, o que difere de alguns relatos apócrifos sobre sua infância, onde Jesus é retratado como um jovem impulsivo e até mesmo cruel.  

O  Evangelho da Infância de Tomé, por exemplo, fala sobre a infância de Jesus entre os cinco e os doze anos de idade. O livro diz que Jesus moldava passarinhos com barro e dava vida a eles.

 Diz também que Jesus amaldiçoou um menino que o tinha incomodado. Segundo a narrativa, Jesus estava brincando perto de um riacho e havia moldado pequenos pardais de barro. Um menino teria estragado a água que Jesus havia organizado para sua brincadeira. Em resposta, Jesus o repreendeu e pronunciou uma maldição. O texto relata que o menino imediatamente definhou e morreu.

Em outra passagem do mesmo livro, um garoto esbarra em Jesus na rua. O menino Jesus teria dito algo como: "Não continuarás teu caminho", e o garoto caiu morto.

Nota-se que o menino Jesus apresentado pelo Evangelho da Infância de Tomé é bem diferente do menino Jesus que a Bíblia nos apresenta. Enquanto o Jesus bíblico era um menino obediente aos pais e focado nos assuntos de Deus, o menino apresentado no Evangelho da Infância de Tomé era impetuoso e mau.

A maioria dos estudiosos acredita que o Evangelho da Infância de Tomé foi escrito entre 140 e 180 d.C., embora algumas propostas o coloquem um pouco mais cedo ou mais tarde. E, com toda a certeza, não foi escrito por Tomé, o apóstolo.

Esse livro foi rejeitado por ser tardio, ou seja, foi escrito muito depois dos evangelhos canônicos.

O Evangelho do Pseudo-Mateus, um dos diversos textos apócrifos sobre a infância de Jesus, destaca-se por relatos fantásticos, como o de animais selvagens — incluindo dragões — que prestariam adoração ao menino. Contudo, essa obra é posterior aos evangelhos bíblicos por vários séculos. Embora o título sugira a autoria do apóstolo Mateus, o consenso acadêmico refuta essa atribuição; enquanto o apóstolo viveu e faleceu no século I d.C., o texto em questão foi composto apenas entre os séculos VI e VIII d.C.

Existem outros relatos antigos sobre a infância de Jesus, mas todos compartilham o mesmo perfil: foram escritos muito tempo após os evangelhos canônicos e contêm elementos claramente lendários.

Após o episódio no Templo aos 12 anos, os evangelhos canônicos praticamente silenciam sobre sua vida até o início do ministério público, por volta dos 30 anos. Esse silêncio foi justamente o que motivou o surgimento de tantos evangelhos apócrifos tentando contar o que teria acontecido durante esses chamados "anos ocultos" de Jesus.

 

 

Capítulo 3 - A aparência de Jesus

A Bíblia, ocasionalmente, faz referências à aparência física de seus personagens. Sara, por exemplo, é descrita como muito bonita, mesmo em idade avançada (Gênesis 12:11-14); José é mencionado como um homem atraente (Gênesis 39:6); e Absalão era considerado extremamente belo (2 Samuel 14:25). Há também descrições específicas, como a de Esaú, descrito como ruivo e muito peludo ao nascer (Gênesis 25:25), e Davi, também ruivo, de olhos bonitos e boa aparência (1 Samuel 16:12). Saul destacava-se pela altura, sendo mais alto que os demais israelitas (1 Samuel 9:2), enquanto Zaqueu é lembrado por sua baixa estatura (Lucas 19:3).

Quanto a Jesus, contudo, o Novo Testamento silencia sobre sua fisionomia. Esse silêncio sugere que sua aparência era comum, não o distinguindo das demais pessoas de sua época. Tal conclusão harmoniza-se com a profecia de Isaías 53:2, interpretada por muitos teólogos como uma referência ao Messias: o "Servo Sofredor" não possuiria uma beleza chamativa, o que não denota feiura, mas sim um aspecto ordinário. De modo geral, os autores bíblicos priorizavam o caráter, as ações e o propósito espiritual sobre os traços físicos.

A representação de um Jesus europeu — de pele clara e traços ocidentais — é um fenômeno posterior. Artistas dos períodos bizantino e renascentista tendiam a retratar figuras bíblicas com as características de seus próprios contextos geográficos e culturais. Contudo, evidências arqueológicas, históricas e antropológicas indicam que os judeus do século I possuíam pele morena, cabelos escuros, olhos castanhos e altura entre 1,60 m e 1,70 m. É provável que Jesus se encaixasse nesse perfil; se ele tivesse a aparência iconográfica clássica, ela certamente teria sido comentada pelos evangelistas, pois seria uma aparência incomum.

Ao longo dos séculos, surgiram tentativas de descrever o Messias. A "Carta de Lentulus", por exemplo, descreve-o como um homem de estatura mediana e feições específicas. Contudo, estudiosos consideram o documento uma falsificação medieval (produzida entre os séculos XIII e XV). Da mesma forma, relatos em apócrifos, como os "Atos de João", apresentam descrições mutáveis — ora jovem, ora velho, ora alto, ora baixo — o que revela uma intenção puramente simbólica e teológica, e não histórica.

Por fim, há o Sudário de Turim, frequentemente associado ao lençol de linho que envolveu o corpo de Jesus (Mateus 27:59, Marcos 15:46, Lucas 23:53 e João 19:40). Embora o objeto desperte grande interesse, seu registro histórico documentado remonta apenas a 1355, na França, sob a posse do cavaleiro Geoffroi de Charny. Não há, portanto, uma cadeia de custódia comprovada que ligue a relíquia ao primeiro século.

Não existe um consenso entre os estudiosos sobre a autenticidade dessa relíquia. Alguns acreditam que seja autêntico, ou seja, que seja, de fato, o tecido que envolveu o corpo de Jesus. Outros, porém, acreditam que seja uma relíquia antiga, mas que não tenha relação com Jesus. Existem também aqueles que acreditam se tratar de uma criação medieval. Muitos historiadores adotaram essa posição depois dos testes de carbono 14 que foram realizados no tecido.

Em 1988, laboratórios da Universidade de Oxford, Universidade do Arizona e Instituto Federal de Tecnologia de Zurique analisaram amostras do tecido. O resultado indicou que o pano foi produzido entre 1260 e 1390 d.C., sugerindo origem medieval.

Por outro lado, alguns pesquisadores argumentam que a amostra utilizada poderia ter vindo de uma área remendada após danos sofridos pelo tecido ao longo dos séculos, o que teria afetado a datação. O debate continua até hoje.

O sudário é preservado na Catedral de São João Batista, na cidade de Turim, e pertence à Santa Sé.

Curiosamente, a Igreja Católica não declara oficialmente que o sudário seja autêntico. Ela o considera uma relíquia importante para a devoção cristã, mas deixa a questão de sua autenticidade histórica em aberto.

Em 1976, pesquisadores usando um analisador de imagens chamado VP-8 descobriram que a imagem gerava um efeito tridimensional mais coerente do que fotografias comuns. Isso despertou grande interesse e levou a diversas reconstruções faciais e corporais.

No entanto, existe uma limitação importante: mesmo que o sudário seja autêntico, as reconstruções não seriam uma fotografia exata. Os pesquisadores precisam preencher muitas lacunas e interpretar áreas pouco definidas da imagem.

Além disso, há uma questão anterior: a autenticidade do próprio sudário continua sendo debatida. Se o tecido não for do século I, então qualquer reconstrução representaria apenas o homem que deixou a imagem nele, e não necessariamente Jesus.


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sábado, 6 de junho de 2026

Três e-books de minha autoria que recomendo

 Olá! Apresento aos leitores desse blog três e-books de minha autoria que recomendo fortemente. 

O primeiro se chama 

Arqueologia Bíblica: Achados

Trata-se de um livro que apresenta achados arqueológicos que comprovam histórias e personagens bíblicos. O e-book é pequeno e de fácil leitura. Custa menos de cinco reais na Amazon e pode ser baixado para o seu celular, tablet ou kindle, caso você tenha um... 

O segundo e-book se chama 

A Bíblia e a História: Como as Profecias se Cumpriram no Decorrer da História

Como o nome indica, o e-book fala sobre profecias que se cumpriram, e ainda mostra quando e onde essas profecias se cumpriram. 
O terceiro e-book foi feito para aqueles que acham que o dilúvio é apenas uma lenda. O livro digital está carregado de evidências palpáveis e científicas que apoiam o relato bíblico da maior catástrofe que o planeta já experimentou. Seu nome: 

Dilúvio : Evidências


sábado, 18 de abril de 2026

Seria verdade que encontraram uma lápide antiga falando sobre o dogma da Imaculada Conceição de Maria?

 


O dogma da Imaculada Conceição ensina que Maria, mãe de Jesus, foi concebida sem o pecado original.

Em termos simples: desde o primeiro instante de sua existência (ou seja, desde a sua concepção no ventre de sua mãe), Maria já foi preservada da condição comum da humanidade marcada pelo pecado original. Esse dogma contraria a passagem bíblica de Romanos 3:23, onde é dito que TODOS pecaram, o que não deixa nenhuma exceção, a não ser Jesus, o qual a bíblia diz que nunca pecou (1 Pedro 2:22)

Agora, alguns fiéis católicos estão fazendo postagens dizendo que uma lápide antiga foi encontrada, e que a inscrição nessa lápide fala sobre a Imaculada Conceição de Maria. Seria isso verdade? Não, não é!

É verdade que uma lápide antiga realmente foi encontrada na região de Negev, uma região desértica que cobre cerca de 60% do sul de Israel. Também é verdade que o texto em grego cita o nome Maria, mas a Maria mencionada no texto não é a mesma Maria da bíblia, a mãe de Jesus, e sim, uma mulher que viveu na região de Nitzana há cerca de 1.400 anos. O texto na lápide diz o seguinte: "Beata Maria, que viveu uma vida imaculada". 

A pedra, que data do final do século VI ou início do século VII d.C., foi encontrada por inspetores da Autoridade de Natureza e Parques que estavam limpando o Parque Nacional de Nitzana (fonte). 

Os protestantes costumam criticar o dogma da Imaculada Conceição por falta de base bíblica explícita, por colocar Maria num nível quase divino, sem pecados, e, pelo fato do desenvolvimento tardio do dogma,  que só foi definido oficialmente em 1854 por Pio IX.




Curiosidade: guaraná Jesus foi criado por um ateu

 


Me lembro de ter visto alguns deboches de ateus militantes por causa do nome desse guaraná, mas o que eu não sabia é que esse guaraná foi inventado por um ateu. 

O Guaraná Jesus foi criado pelo farmacêutico maranhense Jesus Norberto Gomes, por volta de 1927.

Ele estava fazendo experimentos para produzir um xarope medicinal, mas acabou criando por acaso um refrigerante de cor rosada e sabor doce e marcante. O resultado agradou tanto que passou a ser comercializado.

Com o tempo, o Guaraná Jesus se tornou um símbolo cultural do estado do Maranhão, especialmente na cidade de São Luís.


A descoberta da penicilina e o argumento ateísta

 


    A charge acima foi copiada de uma página de debate entre ateus e teístas. Ela possui várias versões e já vem sendo utilizada há muito tempo por ateus militantes. O argumento é sempre o mesmo: a penicilina salvou mais vidas que o Deus bíblico. Essa é uma forma que os ateus encontraram de expressar seu pensamento de que a ciência é mais útil que a fé. 

    Mas falando sobre a penicilina, você sabe como ela foi descoberta?

    O descobridor da penicilina foi o cientista escocês Alexander Fleming, em 1928, e ele descobriu a penicilina de forma acidental. 

    Fleming trabalhava com bactérias do gênero Staphylococcus em seu laboratório. Após voltar de férias, ele percebeu que uma das placas de cultura havia sido contaminada por um mofo (um fungo). O curioso é que, ao redor desse mofo, as bactérias não cresciam. Esse fungo era do gênero Penicillium.
Intrigado, Fleming investigou e concluiu que o mofo produzia uma substância capaz de matar ou impedir o crescimento das bactérias. Ele chamou essa substância de penicilina.

    Essa descoberta revolucionou a medicina, inaugurando a era dos antibióticos e salvando milhões de vidas.
    Mas existe um detalhe que o ateu militante que usa essa descoberta para atacar a fé em Deus ainda não percebeu: a penicilina não foi literalmente inventada... ela já existia na natureza, estava pronta, apenas esperando que alguém a descobrisse. O próprio Fleming reconheceu isso quando disse: 

“Eu não inventei a penicilina. A natureza a fez. Eu apenas a descobri por acaso.”

A ciência produz os medicamentos, que são importantíssimos para nós, humanos (e também para os animais), mas a matéria-prima vem da natureza. Deus deixou tudo pronto e espalhado na natureza, e deu inteligência ao homem para montar esse verdadeiro quebra-cabeças.  

    Os medicamentos que hoje conhecemos costumam vir de três fontes principais: origem natural, semissintéticos e sintéticos. 

    Os medicamentos de origem natural geralmente são extraídos de organismos vivos como Plantas (ex: Morfina, derivada da papoula), Fungos (ex: Penicilina) e também de bactérias e outros microrganismos.

    Os medicamentos semissintéticos também usam matéria-prima da natureza, mas são modificados em laboratório para melhorar a eficácia ou reduzir os efeitos colaterais. Um exemplo de medicamento semissintético é a Amoxicilina.

    Os medicamentos sintéticos são aqueles que são produzidos através de reações químicas (Ex: Paracetamol), Mas há um detalhe importante: mesmo os medicamentos “sintéticos” dependem de matéria-prima química básica, que em última análise vem da natureza (como petróleo, minerais, etc.). Ou seja, tudo vem da natureza em sentido amplo — mas não necessariamente de forma direta ou biológica.

    Portanto a função da ciência é trabalhar com matérias-primas criadas por Deus e transforma-las em medicamentos úteis. Assim, a argumentação ateísta se torna inválida quando percebemos que o homem não cria coisas do nada... ele sempre depende de algo que já está na natureza.