quinta-feira, 11 de abril de 2019


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Suposto erro de Paulo ao falar que Jesus apareceu para os doze apóstolos

ARGUMENTO - Em 1 Coríntios 15: 3-5 Paulo afirma que depois da ressurreição, Jesus apareceu para os doze apóstolos. Mas como Jesus poderia ter aparecido para os doze apóstolos se Judas Iscariotes já estava morto? 


"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze."
1 Coríntios 15:3-5



     Esse é realmente um argumento forte contra a inerrância da bíblia, e por isso devemos sempre estar preparados para responder aos críticos que levantam questões como essas. Segundo o relato bíblico, Judas se arrependeu por ter traído Jesus e “saiu para se enforcar” (Mateus 27:5). Porém, ao que parece, ele acabou morrendo de outra forma. 

     Segundo Atos 1:18, Judas se precipitou e rebentou ruidosamente pelo meio e seus intestinos ficaram expostos. Não sabemos se isso aconteceu quando Judas tentou o suicídio ou depois. Provavelmente Judas atou uma corda ao galho duma árvore, pôs o nó corrediço em volta do pescoço e tentou enforcar-se por pular dum penhasco. Parece que a corda ou o galho da árvore se rompeu, de modo que ele despencou e se rebentou nas rochas embaixo. A topografia em volta de Jerusalém torna esta conclusão razoável.

      No entanto, porém, pode ser que isso tenha acontecido após a ressurreição de Jesus. A verdade é que não sabemos a resposta exata. Portanto, dizer que Judas ainda estava vivo após a ressurreição de Jesus não é um bom argumento. Existe uma explicação que ao meu ver é bem mais razoável: sabemos que Matias foi eleito para ocupar o lugar de Judas, fazendo com que o número de apóstolos voltasse a ser doze (Atos 1:26). Claro que a eleição de Matias ocorreu bem depois da ressurreição de Jesus, e portanto ele não estava presente quando Jesus apareceu para os apóstolos em João 20:26.

      Contudo, devemos observar um detalhe importante: o requisito exigido para o cargo de apóstolo era o de que a pessoa escolhida fosse um daqueles que conviveram com os apóstolos desde o início do ministério de Jesus até o dia em que ele subiu aos céus novamente, ou seja, a pessoa teria que ter visto o Jesus ressurrecto para poder testemunhar com propriedade sobre a ressurreição do Messias (Atos 1:21-22). Sabemos que Jesus apareceu para mais de 500 pessoas após sua ressurreição, e certamente Matias foi um desses privilegiados (1 Coríntios 15: 5 -8).   Portanto não há erro algum quando Paulo diz que Jesus apareceu aos doze. Lembrando que Paulo escreveu 1 Coríntios entre 55/56 d.C. bem depois de Matias ter sido integrado no grupo dos apóstolos, ocupando o lugar de Judas. 

     Existe também a passibilidade de erro em alguma cópia dos manuscritos. A versão bíblica traduzida pelo padre Matos Soares, por exemplo, foi traduzida da Vulgata, e ao invés de dizer que Jesus apareceu para os doze (gr. δώδεκα), ela diz que Jesus apareceu para os onze (gr. έντεκα). É muito difícil determinar quais manuscritos se aproximam mais dos originais, visto que os originais não existem mais. 

A versão traduzida da Vulgata portuguesa diz que Jesus apareceu para os onze

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quantos endemoninhados encontraram com Jesus em Gádara? Um ou dois?

ARGUMENTO: Ao falarem sobre o endemoninhado gadareno, Mateus e Marcos entram em contradição, pois Marcos diz que apenas um endemoninhado saiu ao encontro de Jesus (Marcos 5: 2), e Mateus afirma que eram dois (Mateus 8:28). 



RESPOSTA - O evangelista Marcos relata que quando Jesus chegou à província dos gadarenos, um homem possuído por espíritos imundos lhe saiu ao encontro. Note que em momento algum o evangelista diz que o tal homem estava sozinho no local - ele apenas menciona que o endemoninhado saiu dos sepulcros e caminhou na direção de Jesus. Mateus, por sua vez, foi mais detalhista e acrescentou que tinham dois homens endemoninhados ali. Isso não é contradição, mas variação. Enquanto Marcos foca apenas no endemoninhado que conversou com Jesus, Mateus acrescenta que eram dois endemoninhados no total. Temos aqui dois relatos falando do mesmo evento, mas  escritos por  pessoas distintas, então é absolutamente normal que existam variações nos textos, ou seja, um autor pode acrescentar pormenores que o outro omite. 

Não tem mar ali perto


Kersa, o local mais provável do encontro entre Jesus e os endemoninhados


Os críticos ainda apontam um segundo "problema" nessa passagem: a ausência do mar. Segundo eles a cidade de Gádara  não é costeira, e portanto seria impossível que os porcos se precipitassem no mar, como afirma o texto bíblico. O que esses críticos parecem não saber é que os hebreus davam o nome de "mar" a qualquer massa de água (Dicionário Bíblico Universal Buckland página 277) e portanto o "mar" a que a bíblia se refere nesse caso é o mar da Galileia, um grande lago que existe nessa região. O local exato do evento provavelmente foi uma cidade chamada Kersa (que estava incluída no território de Gádara), cujas ruínas ainda existem na embocadura de Wady Semack. Essa cidade se encontra perto de uma praia, nas faldas dum alto monte. Ao longo das bordas do mar da Galiléia, perto de Gádara, ainda se podem ver os restos de antigos sepulcros, cavados nas rochas e voltados para o mar (mar da Galiléia) (Dicionário Bíblico Universal Buckland página 167).



Túmulos cavados nas rochas

Para ler mais sobre contradições bíblicas refutadas acesse: http://neoateismodelirante.blogspot.com/2013/09/contradicoes-na-biblia.html






segunda-feira, 25 de março de 2019

Cristofobia na França


   
      As coisas andam difíceis para os católicos franceses: pelo menos 12 igrejas foram atacadas e vandalizadas, e tudo isso na semana passada (fonte: Gaudium Press) . A igreja de Saint-Sulpice, por exemplo, foi uma delas. Essa igreja foi invadida e incendiada pouco depois da missa das 12 horas.



      A igreja de Notre-Dame des Enfants, uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico também foi atacada. Os agressores chegaram ao cúmulo de desenhar uma cruz usando fezes humanas e também jogaram hóstias consagradas no lixo.



     A Igreja de Notre-Dame de Dijon, no leste do país, também não ficou de fora dos ataques. Os vândalos jogaram as hóstias no chão e as pisotearam. Outras igrejas também foram invadidas na mesma semana e profanadas. Dá para perceber nitidamente que os ataques foram orquestrados pelo mesmo grupo.



     Enquanto que do lado ocidental do planeta o cristianismo sofre uma perseguição massiva cultural através de ataques discretos (ou nem tanto) contra nossos valores e crenças, como, por exemplo, mostras artísticas que vilipendiam objetos de culto ou tentativas de suprimir manifestações religiosas, no lado oriental do planeta os ataques são mais diretos. Na Europa o vandalismo contra igrejas tem se tornado algo cada vez mais comum. Já falamos aqui sobre a  militância agressiva dos ateus espanhóis e suas pichações em igrejas com ameaças e incitação ao ódio. Agora temos esses casos na França.

     Já no Oriente Médio nem se fala: cristãos são perseguidos, torturados, queimados vivos, crucificados...  “Os cristãos formam o grupo religioso mais perseguido de todo o mundo”  (Fonte: The telegraph). 45 milhões de cristãos morreram por causa de sua fé durante o século 20, segundo estatísticas publicadas no ano de 2001 pelo  investigador britânico Dr. David Barrett (“World Christian Trends AD 30 – AD 2200″). Segundo esse mesmo estudo, cerca de 160 mil cristãos foram mortos por causa de sua religião só no início desse milênio.  Isso corresponde a  1 cristão assassinado a cada 5 minutos (FONTE).  80% das profanações em locais de culto na França são feitas contra igrejas cristãs, e isso corresponde a duas profanações anticristãs por dia naquele país (FONTE). Judeus e muçulmanos também sofrem perseguição, mas não chega nem perto do número de perseguições contra cristãos.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Você vai para o inferno se não for dizimista?


     


     Muitos líderes religiosos (sobretudo no meio pentecostal) têm coagido seus fiéis a contribuir mensalmente na igreja com 10% de tudo o que ganham. Esses líderes usam uma tática muito eficaz: a intimidação. Eles ensinam aos membros da igreja que é obrigação do crente ser dizimista, e que o crente que não dá os dízimos na verdade está roubando o próprio Deus e certamente será punido. 

     Nessas igrejas o crente aprende que 10% do salário que ganha não é dele, mas de Deus, e ele precisa "devolver" rapidamente esse dinheiro na "casa do Senhor", ou seja, na igreja que ele frequenta. Ele aprende também que os dizimistas fiéis prosperam financeiramente.

     Mas será que nós, cristãos, temos mesmo a obrigação de dar dízimos na igreja? Isso tem algum respaldo bíblico? A resposta é NÃO! Entenda:

Por que os hebreus tinham que dar os dízimos?

 
Levitas

      Quando Deus repartiu a Terra Prometida entre as tribos de Israel, A tribo de Levi não recebeu terra alguma. Deus separou os levitas para o serviço do Templo. Como não teriam terras para plantar ou criar gados, sua subsistência viria dos dízimos doados pelas outras tribos. Todas as outras tribos deveriam contribuir com 10% de tudo (não era só dinheiro não) para sustentar os levitas (Números 18: 20 e 21). 




     Portanto aquela passagem de Malaquias 3: 8 – 10, que alguns líderes religiosos tanto usam para intimidar seus fiéis, na verdade não diz respeito a nós, cristãos, mas aos judeus que estavam debaixo da Lei. Outros líderes religiosos também usam a passagem de Gênesis 14:20 para dizer que o dízimo era anterior à Lei. Na verdade o dízimo de Abraão foi voluntário (uma oferta de agradecimento a Deus pela vitória na guerra). Não era algo obrigatório.  

     Assim também, todas as passagens do Novo Testamento que mostram alguém entregando os dízimos, se referem a pessoas que estavam debaixo da Lei mosaica (até mesmo o Senhor Jesus estava). O ensino de que o cristão é obrigado a dar o dízimo para a igreja não tem respaldo bíblico. O que o cristão pode dar (e mesmo assim não é obrigado a dar) são ofertas voluntárias. 

     Lembrando ainda que o dízimo, além de ter servido para sustentar os levitas, era também destinado a sustentar os pobres, viúvas e órfãos (Deuteronômio 14:28-29). 

     Portanto fique tranquilo pois você não vai para o inferno se não for dizimista! Não existe nenhum texto na bíblia dizendo que cristãos são obrigados a dar seus dízimos na igreja.