segunda-feira, 22 de junho de 2026

Os três primeiros capítulos do meu novo livro, para a degustação dos leitores desse blog...



Capítulo 1 - O Nascimento

O mistério sobre a data do nascimento de Jesus

Ninguém conhece a data exata do nascimento de Jesus. Estranhamente, todos os que escreveram sobre ele omitiram esse detalhe. Nem mesmo Lucas, que no início de seu Evangelho afirma ter feito um rigoroso trabalho de historiador — investigando cuidadosamente os acontecimentos e consultando testemunhas oculares para compor um relato detalhado —, mencionou a data. Devido a essa lacuna, a tradição cristã acabou estabelecendo o mês de dezembro para a comemoração.

Por que Jesus dificilmente nasceu em dezembro?

Dezembro é um mês caracterizado por chuvas e frio intenso na região da Judeia. Até hoje, agências de viagens recomendam evitar o destino nessa época. O relato bíblico, porém, menciona pastores cuidando de seus rebanhos no campo (Lucas 2:8), o que seria inviável durante o inverno rigoroso da região.

Além disso, a narrativa dos magos do Oriente, que se guiaram por uma "estrela", sugere um céu límpido, sem a nebulosidade comum ao inverno local. Outro ponto relevante é o censo ordenado pelo Império Romano. A necessidade de deslocamento obrigatório para que os cidadãos se registrassem em suas cidades de origem tornaria logisticamente impossível a realização de um censo em pleno inverno, com estradas lamacentas e condições climáticas adversas. Para fins de arrecadação de impostos e organização populacional, o imperador logicamente escolheria um período de clima mais favorável.

O erro do "ano 1" e a morte de Herodes

Segundo o Evangelho de Mateus, Herodes, o Grande, governava a Judeia quando Jesus nasceu e foi ele quem ordenou a matança dos inocentes em Belém. Contudo, historiadores estabelecem que Herodes morreu por volta de 4 a.C. Isso cria uma contradição cronológica: de acordo com o calendário gregoriano, ele teria morrido antes do nascimento de Cristo.

Como entender essa discrepância?

O sistema de contagem dos anos a partir do nascimento de Jesus foi idealizado no século VI por Dionísio, o Exíguo. Sua intenção era substituir o calendário baseado nos reinados dos imperadores romanos por um marco cristão. A iniciativa foi pioneira, mas o cálculo apresentou falhas:

  1. A falha histórica: Dionísio não considerou com precisão a data da morte de Herodes. Como Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, ele obrigatoriamente nasceu antes do "ano 1" do calendário cristão.
  2. A ausência do ano zero: O sistema de Dionísio salta de 1 a.C. diretamente para 1 d.C., o que gera um deslocamento na contagem.
  3. Limitações da época: Dionísio não tinha acesso aos registros historiográficos que possuímos hoje, baseando-se em cronologias muitas vezes contraditórias.

Atualmente, a maioria dos historiadores converge para a ideia de que Jesus nasceu entre 6 a.C. e 4 a.C. Portanto, nosso calendário está "atrasado" em cerca de 4 a 6 anos em relação à realidade histórica, embora seja mantido por ser o padrão global vigente.

A confirmação através do ministério de Jesus

Um detalhe no Evangelho de Lucas reforça a tese de que Jesus nasceu antes do ano 1. Lucas 3:23 menciona que Jesus tinha "cerca de trinta anos" quando iniciou seu ministério, coincidindo com o 15º ano do reinado de Tibério César.

Como Tibério assumiu o trono em 14 d.C., o 15º ano de seu governo corresponde aos anos 28–29 d.C. Se Jesus possuía aproximadamente 30 anos nesse período, a conta recua naturalmente para o intervalo entre 6 a.C. e 4 a.C.

Nota: Na época, não existia a distinção "a.C." e "d.C.". Os anos eram contados a partir da ascensão dos imperadores. Lucas utiliza o "ano 15" de Tibério como referência cronológica clara para seus leitores contemporâneos.

 

O mistério da Estrela de Belém: um fenômeno real?

A narrativa bíblica descreve os magos do Oriente sendo conduzidos por um astro luminoso. Mas, afinal, o que teria sido essa "estrela"? Astrônomos e historiadores debatem a questão há séculos, propondo hipóteses fascinantes baseadas em registros antigos que coincidem com a janela cronológica do nascimento de Jesus.

 

A hipótese da "estrela convidada" (Supernova)

Uma das teorias mais fortes sugere que o fenômeno foi uma nova ou supernova — a explosão catastrófica de uma estrela que, por um período, brilha com uma intensidade colossal, tornando-se visível mesmo à luz do dia.

 

O principal embasamento para essa ideia vem da China antiga. O "Livro de Han" (Han Shu), uma das crônicas mais importantes da história chinesa, registra o surgimento de uma "ke xing" (estrela convidada) no segundo mês do segundo ano do período Jianping, correspondente a março ou abril de 5 a.C.:

 

"No segundo mês do segundo ano do período Jianping, apareceu uma estrela convidada em Ch'ien-niu por mais de setenta dias."

 

O termo Ch'ien-niu refere-se a uma região próxima às modernas constelações de Águia e Capricórnio. A descrição de um objeto que permanece visível por cerca de 70 dias e desaparece subitamente é compatível com o comportamento de uma supernova. Além disso, essa posição seria visível no céu matutino, o que dialoga com a expressão grega en anatole, frequentemente traduzida como "no Oriente" (ou "ao nascer"), sugerindo que os magos observaram o astro em sua ascensão helíaca.

 

A hipótese da conjunção planetária

Outro grupo de estudiosos defende que a "estrela" não foi um objeto único, mas um alinhamento planetário. Conjunções raras podem gerar um brilho intenso e diferenciado no céu noturno, atraindo a atenção de observadores atentos como os magos.

Registros conhecidos como Diários Astronômicos Babilônicos — tabletes cuneiformes que documentam minuciosamente fenômenos celestes — confirmam um evento notável ocorrido em 7 a.C.: uma tripla conjunção entre Júpiter e Saturno na constelação de Peixes.

 Os dois planetas pareceram aproximar-se três vezes ao longo daquele ano (maio, setembro e dezembro).

Para a astrologia da época, Júpiter era frequentemente associado ao "Rei" e Saturno ao povo judeu; portanto, um alinhamento desses dois astros na constelação de Peixes poderia ter sido interpretado pelos sábios da Mesopotâmia como um sinal messiânico ou real.

Nova ou Conjunção?

Enquanto a hipótese da supernova (baseada nos registros chineses) explica melhor a descrição de uma "estrela nova" que surge e desaparece, a conjunção planetária (baseada nos diários babilônicos) oferece uma explicação astronômica previsível e carregada de simbolismo para a época.

Ambas as teorias possuem pontos fortes e demonstram que, independentemente da natureza exata do fenômeno, o céu daquela época certamente exibiu espetáculos astronômicos incomuns que justificariam o interesse dos estudiosos de então.

 

Os "Três" Reis Magos

Estamos acostumados com a imagem clássica dos três reis magos que visitaram o menino Jesus. No entanto, uma leitura atenta do texto bíblico revela que a história popular difere consideravelmente do relato original.

1. Eles não eram reis

Ao contrário da tradição consolidada, a Bíblia não confere título de realeza a esses visitantes. Mateus 2:1 refere-se a eles simplesmente como "magos". O termo, no grego original (magoi), designava uma casta de sábios persas, especialistas em astrologia, astronomia, medicina e ciências naturais da época.

2. O número de visitantes é desconhecido

As Escrituras nunca especificam quantos magos viajaram até Belém; mencionam apenas que foram "uns magos". A crença de que eram três surgiu apenas no século III, por dedução de Orígenes, um importante teólogo da Igreja Primitiva. Ele associou o número ao fato de terem sido oferecidos três presentes: ouro, incenso e mirra.

3. A origem dos nomes

A Bíblia também não registra os nomes dos magos. Foi somente a partir do século VIII que surgiram as primeiras denominações: Bithisarea, Melchior e Gathaspa. No século IX, o historiador Agnello de Ravena, em sua obra Pontificalis Ecclesiae Ravennatis, adaptou essas nomenclaturas para o que conhecemos hoje: Gaspar, Melchior e Baltazar.

 

A cidade em que Jesus nasceu

Belém, no século I, não era uma metrópole ou um centro de poder; tratava-se de uma modesta aldeia agrícola, sem o peso político ou econômico de Jerusalém. Contudo, sua importância era imensurável para o imaginário religioso judaico, sendo a terra natal do rei Davi e o local apontado pelas escrituras como o local em que o Messias iria nascer:

 

"E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel; e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." (Miqueias 5:2) 

 

A jornada de Nazaré

Embora Belém fosse o destino profético, ela não era o lar de José e Maria. Eles residiam em Nazaré, uma pequena cidade na região da Galileia. A presença do casal em Belém na ocasião do nascimento de Jesus ocorreu devido ao censo ordenado pelo Império Romano, que obrigou os descendentes da linhagem de Davi a retornarem à sua cidade de origem para o devido registro.

 

Um desafio logístico

A distância entre Nazaré e Belém é de aproximadamente 150 quilômetros. Nos dias de hoje, percorremos esse trajeto em pouco mais de duas horas de carro; contudo, para uma família na época, tratava-se de uma verdadeira expedição.

Estima-se que a viagem tenha durado entre quatro a sete dias. Além dos obstáculos naturais e do cansaço físico — agravado pelo fato de Maria estar em estágio avançado de gravidez —, o percurso era frequentemente prolongado.

Para piorar, é muito provável que o casal tenha evitado cruzar a região da Samaria, o caminho mais curto entre a Galileia e a Judeia, devido às tensões religiosas e históricas intensas entre judeus e samaritanos, optando por rotas alternativas que tornaram a jornada ainda mais longa e demorada.

A cidade de Belém existe até hoje e se localiza na Cisjordânia.

 

 

Capítulo 2 - A Infância de Jesus

 

Estranhamente, a Bíblia quase não fala a respeito da infância de Jesus. Aparentemente os evangelhos focaram mais no ministério de Jesus, que começou por volta de seus trinta anos de idade. Pouco sabemos sobre os "anos ocultos" de Jesus.

Lucas revela que, enquanto Jesus crescia e ficava fisicamente mais forte, ele também se enchia de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele (Lucas 2:40).

Lucas também menciona um fato ocorrido quando Jesus tinha apenas doze anos. Jesus tinha ido com seus pais até a cidade de Jerusalém, durante a Páscoa. Quando estavam retornando, perceberam que Jesus não estava no grupo e voltaram para procurá-lo. Encontraram-no, pois, conversando com alguns doutores da Lei, que estavam maravilhados com a sabedoria do menino. Ao ser questionado por seus pais, respondeu com uma pergunta: ― Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devo estar envolvido nos assuntos do meu Pai?

Isso sugere que Jesus possuía consciência de seu messianato e de sua natureza divina desde a infância.

A passagem termina dizendo que Jesus "voltou com eles para Nazaré e lhes era obediente" (Lucas 2:51).

Nota-se que Lucas retrata o jovem Jesus como alguém sábio, abençoado por Deus e obediente aos pais, o que difere de alguns relatos apócrifos sobre sua infância, onde Jesus é retratado como um jovem impulsivo e até mesmo cruel.  

O  Evangelho da Infância de Tomé, por exemplo, fala sobre a infância de Jesus entre os cinco e os doze anos de idade. O livro diz que Jesus moldava passarinhos com barro e dava vida a eles.

 Diz também que Jesus amaldiçoou um menino que o tinha incomodado. Segundo a narrativa, Jesus estava brincando perto de um riacho e havia moldado pequenos pardais de barro. Um menino teria estragado a água que Jesus havia organizado para sua brincadeira. Em resposta, Jesus o repreendeu e pronunciou uma maldição. O texto relata que o menino imediatamente definhou e morreu.

Em outra passagem do mesmo livro, um garoto esbarra em Jesus na rua. O menino Jesus teria dito algo como: "Não continuarás teu caminho", e o garoto caiu morto.

Nota-se que o menino Jesus apresentado pelo Evangelho da Infância de Tomé é bem diferente do menino Jesus que a Bíblia nos apresenta. Enquanto o Jesus bíblico era um menino obediente aos pais e focado nos assuntos de Deus, o menino apresentado no Evangelho da Infância de Tomé era impetuoso e mau.

A maioria dos estudiosos acredita que o Evangelho da Infância de Tomé foi escrito entre 140 e 180 d.C., embora algumas propostas o coloquem um pouco mais cedo ou mais tarde. E, com toda a certeza, não foi escrito por Tomé, o apóstolo.

Esse livro foi rejeitado por ser tardio, ou seja, foi escrito muito depois dos evangelhos canônicos.

O Evangelho do Pseudo-Mateus, um dos diversos textos apócrifos sobre a infância de Jesus, destaca-se por relatos fantásticos, como o de animais selvagens — incluindo dragões — que prestariam adoração ao menino. Contudo, essa obra é posterior aos evangelhos bíblicos por vários séculos. Embora o título sugira a autoria do apóstolo Mateus, o consenso acadêmico refuta essa atribuição; enquanto o apóstolo viveu e faleceu no século I d.C., o texto em questão foi composto apenas entre os séculos VI e VIII d.C.

Existem outros relatos antigos sobre a infância de Jesus, mas todos compartilham o mesmo perfil: foram escritos muito tempo após os evangelhos canônicos e contêm elementos claramente lendários.

Após o episódio no Templo aos 12 anos, os evangelhos canônicos praticamente silenciam sobre sua vida até o início do ministério público, por volta dos 30 anos. Esse silêncio foi justamente o que motivou o surgimento de tantos evangelhos apócrifos tentando contar o que teria acontecido durante esses chamados "anos ocultos" de Jesus.

 

 

Capítulo 3 - A aparência de Jesus

A Bíblia, ocasionalmente, faz referências à aparência física de seus personagens. Sara, por exemplo, é descrita como muito bonita, mesmo em idade avançada (Gênesis 12:11-14); José é mencionado como um homem atraente (Gênesis 39:6); e Absalão era considerado extremamente belo (2 Samuel 14:25). Há também descrições específicas, como a de Esaú, descrito como ruivo e muito peludo ao nascer (Gênesis 25:25), e Davi, também ruivo, de olhos bonitos e boa aparência (1 Samuel 16:12). Saul destacava-se pela altura, sendo mais alto que os demais israelitas (1 Samuel 9:2), enquanto Zaqueu é lembrado por sua baixa estatura (Lucas 19:3).

Quanto a Jesus, contudo, o Novo Testamento silencia sobre sua fisionomia. Esse silêncio sugere que sua aparência era comum, não o distinguindo das demais pessoas de sua época. Tal conclusão harmoniza-se com a profecia de Isaías 53:2, interpretada por muitos teólogos como uma referência ao Messias: o "Servo Sofredor" não possuiria uma beleza chamativa, o que não denota feiura, mas sim um aspecto ordinário. De modo geral, os autores bíblicos priorizavam o caráter, as ações e o propósito espiritual sobre os traços físicos.

A representação de um Jesus europeu — de pele clara e traços ocidentais — é um fenômeno posterior. Artistas dos períodos bizantino e renascentista tendiam a retratar figuras bíblicas com as características de seus próprios contextos geográficos e culturais. Contudo, evidências arqueológicas, históricas e antropológicas indicam que os judeus do século I possuíam pele morena, cabelos escuros, olhos castanhos e altura entre 1,60 m e 1,70 m. É provável que Jesus se encaixasse nesse perfil; se ele tivesse a aparência iconográfica clássica, ela certamente teria sido comentada pelos evangelistas, pois seria uma aparência incomum.

Ao longo dos séculos, surgiram tentativas de descrever o Messias. A "Carta de Lentulus", por exemplo, descreve-o como um homem de estatura mediana e feições específicas. Contudo, estudiosos consideram o documento uma falsificação medieval (produzida entre os séculos XIII e XV). Da mesma forma, relatos em apócrifos, como os "Atos de João", apresentam descrições mutáveis — ora jovem, ora velho, ora alto, ora baixo — o que revela uma intenção puramente simbólica e teológica, e não histórica.

Por fim, há o Sudário de Turim, frequentemente associado ao lençol de linho que envolveu o corpo de Jesus (Mateus 27:59, Marcos 15:46, Lucas 23:53 e João 19:40). Embora o objeto desperte grande interesse, seu registro histórico documentado remonta apenas a 1355, na França, sob a posse do cavaleiro Geoffroi de Charny. Não há, portanto, uma cadeia de custódia comprovada que ligue a relíquia ao primeiro século.

Não existe um consenso entre os estudiosos sobre a autenticidade dessa relíquia. Alguns acreditam que seja autêntico, ou seja, que seja, de fato, o tecido que envolveu o corpo de Jesus. Outros, porém, acreditam que seja uma relíquia antiga, mas que não tenha relação com Jesus. Existem também aqueles que acreditam se tratar de uma criação medieval. Muitos historiadores adotaram essa posição depois dos testes de carbono 14 que foram realizados no tecido.

Em 1988, laboratórios da Universidade de Oxford, Universidade do Arizona e Instituto Federal de Tecnologia de Zurique analisaram amostras do tecido. O resultado indicou que o pano foi produzido entre 1260 e 1390 d.C., sugerindo origem medieval.

Por outro lado, alguns pesquisadores argumentam que a amostra utilizada poderia ter vindo de uma área remendada após danos sofridos pelo tecido ao longo dos séculos, o que teria afetado a datação. O debate continua até hoje.

O sudário é preservado na Catedral de São João Batista, na cidade de Turim, e pertence à Santa Sé.

Curiosamente, a Igreja Católica não declara oficialmente que o sudário seja autêntico. Ela o considera uma relíquia importante para a devoção cristã, mas deixa a questão de sua autenticidade histórica em aberto.

Em 1976, pesquisadores usando um analisador de imagens chamado VP-8 descobriram que a imagem gerava um efeito tridimensional mais coerente do que fotografias comuns. Isso despertou grande interesse e levou a diversas reconstruções faciais e corporais.

No entanto, existe uma limitação importante: mesmo que o sudário seja autêntico, as reconstruções não seriam uma fotografia exata. Os pesquisadores precisam preencher muitas lacunas e interpretar áreas pouco definidas da imagem.

Além disso, há uma questão anterior: a autenticidade do próprio sudário continua sendo debatida. Se o tecido não for do século I, então qualquer reconstrução representaria apenas o homem que deixou a imagem nele, e não necessariamente Jesus.


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