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terça-feira, 19 de maio de 2015

Deus proíbe o assassinato, mas depois manda matar...

ARGUMENTO: "O sexto mandamento proíbe o assassinato (Êxodo 20:13), mas Deus mandou matar um homem só porque ele violou o sábado (Números 15: 32 - 36)".



Ateus militantes utilizam constantemente a passagem de Números 15:32 - 36 para apontar uma suposta contradição. O mesmo Deus que proibiu o assassinato, mandou matar um pobre homem só porque ele estava apanhando lenha no sábado. Essa passagem também é usada por eles para questionar o amor e a bondade de Deus.

Para compreendermos exatamente os porquês do ocorrido, devemos levar em conta o contexto da história, e não somente duas passagens isoladas, como os ateus estão fazendo. 

Primeiramente é necessário compreender que as Leis mosaicas não eram somente um conjunto de regras religiosas (regras eclesiásticas), mas a própria Constituição da nação hebraica, onde se encontrava o conjunto de leis que regiam aquele povo. Lembre-se de que os hebreus viviam numa teocracia. 

Leis são obrigações impostas à sociedade com a finalidade de controlar os comportamentos e ações dos indivíduos de acordo com os princípios daquela sociedade. 

Como qualquer outro conjunto de leis, as Leis mosaicas também previam punições em caso de delitos (delitos = quaisquer ações e/ou comportamentos que infrinjam uma lei já estabelecida).

E em alguns casos, a punição era a pena de morte. 

A lei sobre o sábado era bem clara:

"Seis dias se fará obra, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer obra, certamente morrerá" (Êxodo 31:15). 

Portanto a lei previa a pena de morte em caso de violação.

O descanso no sábado não tinha sido instituído por Deus apenas com finalidades cerimoniais. Havia também a intenção de fornecer aos trabalhadores, escravos e animais, um dia de descanso semanal, evitando assim o abuso na carga horária de trabalho (Êxodo 23:12).

O homem que foi pego recolhendo lenha no sábado estava violando essa lei, e portanto era passível da punição prevista pela mesma. 

Isso não era maldade ou injustiça. Era apenas o cumprimento do que previa a lei. É importante que se entenda aqui que existe diferença entre o homicídio deliberado (que foi proibido por Deus), e a execução legal da pena capital pelo Estado (que foi o que aconteceu no caso do homem que violou o sábado).

Um exemplo que gosto de usar em meus debates com ateus militantes é o dos países que adotam a pena de morte. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, matar é crime, mas em pelo menos  32 Estados, o réu pode ser executado se for condenado à pena de morte. Ai surge o mesmo questionamento que os ateus militantes utilizam no caso da bíblia: como pode o Estado proibir o assassinato e, ao mesmo tempo, executar seus criminosos?

Isso ocorre porque o Estado é responsável pelo controle social, e por isso possui o direito jurídico de usar a força e de aplicar punições, o que no caso de alguns países, como os EUA, inclui a pena de morte. Portanto fica claro que a proibição do assassinato nesses países diz respeito ao homicídio deliberado, intencional, ilícito, e não às punições lícitas previstas em lei. 

A mesma coisa ocorreu no caso dos hebreus! 









terça-feira, 30 de setembro de 2014

Como os ateus acham que a bíblia descreve a Terra?

ARGUMENTO: “A bíblia ensina que nosso planeta é circular e achatado como um disco de vinil, sendo envolto por uma abóbada gigante e cercado por um abismo profundo”.


 Para alguns neo-ateus a bíblia descreve nosso planeta dessa forma:

Nosso planeta na interpretação bíblica dos ateus militantes

E o mais bizarro de tudo isso é que eles tentam “provar” suas alegações usando versículos bíblicos que na verdade não estão apoiando o que eles dizem. Esse problema de interpretação ocorre geralmente pela falta de interesse do ateu em pesquisar com um pouco mais de profundidade. Vamos analisar os versículos que eles utilizam:

ABISMO

A palavra “abismo” aparece em diversas passagens da bíblia, sobretudo no Antigo Testamento. Os ateus geralmente citam essas passagens para dizer que a bíblia está falando de um grande “precipício” ao redor do planeta., de forma que se alguém fosse caminhando, poderia chegar no final da Terra, onde haveria um grande abismo.  Um dos versículos mais utilizados é Provérbios 8:27:

“Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo”
Provérbios 8:27

A palavra hebraica traduzida em nossas bíblias como “abismo” é tehóhm, e significa literalmente água de profundeza, águas empoladas ou oceano primevo.  Quando aparece na bíblia essa palavra geralmente se refere às profundezas do oceano, e não a um “buraco profundo ao redor do planeta” como imaginam os ateus! O uso da palavra “abismo” para traduzir esse termo hebraico começou através da Septuaginta grega. Algumas traduções bíblicas traduzem esse termo diretamente como OCEANO. Vamos comparar algumas traduções:

“O abismo diz: Ela não está em mim; e o mar diz: Não está comigo.” (Jó 28:14 – Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada)

O mesmo versículo em outra tradução diz:

“O Oceano afirma: ‘Aqui não está’, e o Mar diz: ‘Aqui também não’." (Jó 28:14 – Tradução Linguagem de Hoje)

Note que o tal “abismo” nada  mais é que o oceano.



Vejamos mais uma passagem:

“Nasci quando ainda não havia abismos, quando não existiam fontes de águas” (Provérbios 8:24 – Tradução Nova Versão Internacional)

Mas em outra tradução:

“Nasci antes dos oceanos quando ainda não havia fontes de água” (Provérbios 8:24 – Linguagem de Hoje).

Acho que não restam dúvidas de que o tal “abismo” bíblico nada mais é que o próprio oceano. Esse “precipício imaginário” dos ateus só existe na cabecinha deles!  Fruto de suas interpretações truncadas.


O PLANETA É ACHATADO E CIRCULAR




Para “provar” que segundo a bíblia a Terra é achatada e circular como um disco de vinil ou um CD, os ateus utilizam alguns versículos do Antigo Testamento. Os versículos mais utilizados são Isaías 40:22 e Jó 26:10.

“Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar”
Isaías 40:22

A palavra original hebraica que nesse versículo foi traduzida por “círculo” é ( חוּג) “chug”, algumas vezes transliterada como “hhugh” também. Em algumas versões ela aparece traduzida como “redondeza”. O hilário nesse caso é que essa palavra pode provar exatamente o oposto do que os ateus estão tentando alegar. De acordo com algumas obras de referências tais como o Analytical Hebrew and Chaldee Lexicon (Léxico Analítico Hebraico e Caldeu), de Davidson, a palavra “chug”, traduzida “círculo”, pode também significar “esfera”. Isso tanto é verdade que algumas versões bíblicas, tais como a Versão do Pontifício Instituto Bíblico, de Roma, e a Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida  traduzem “chug” como “globo” nessa passagem.

O termo "chug" sendo corretamente traduzido como "globo" na versão de João Ferreira de Almeida


Na verdade a Terra é um esferóide oblato, pois é ligeiramente achatada nos pólos. O que também se encaixa no conceito de esfericidade da palavra “chug”.

“Marcou um limite circular sobre a superfície das águas...” (Jó 26:10)

Esse é outro versículo que os ateus militantes adoram citar para “provar” que a bíblia descreve a Terra como um disco achatado. Repare novamente na gravura ateísta abaixo:



Note que esse versículo também aparece na gravura, e uma pequena seta aponta para a extremidade do planeta achatado. Esse desenho descreve bem como os ateus interpretam esse versículo. Para os ateus esse “limite circular” do qual o versículo fala está nas extremidades desse círculo, impedindo que as águas do mar caiam no abismo. Ele funcionaria como um tipo de barragem.
Porém, o versículo é bem claro ao dizer que esse limite está na SUPERFÍCIE das águas, e não nas laterais. Mesmo que a palavra “superfície” apareça no versículo, a vontade de encontrar erros científicos na bíblia é tão grande, que o ateu militante nem vai reparar nela.

ABÓBODA DO CÉU

De acordo com os ateus militantes, a bíblia afirma que existe uma espécie de abóbada sólida envolvendo a Terra. Um tipo de teto em forma de semi-esfera, onde existem buracos de eclusas por onde passam as águas da chuva.

A palavra utilizada atualmente pela bíblia e traduzida como “firmamento” realmente traz a ideia de algo sólido, como uma abóbada mesmo, e nesse ponto os ateus estão certos. Mas não é assim no texto original.
Ao falar sobre a criação da atmosfera, a bíblia usou originalmente a palavra hebraica “raqia”, que significa literalmente “superfície estendida” ou “expansão” (Davidson - 1963, p. DCXCII;. Wilson, sd, página 166).

A palavra "firmamento" foi inserida na bíblia através da Septuaginta (tradução da bíblia hebraica para o grego). A crença cosmológica predominante na época da Septuaginta pode ter influenciado essa tradução equivocada.

O “MOVIMENTO” DO SOL


Nascer do Sol


“O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.” (Eclesiastes 1:5)

Os ateus militantes utilizam esse versículo para alegar pelo menos duas coisas:

1- Que a bíblia ensina o geocentrismo.
2- Que ao completar sua volta sobre a parte de cima da Terra plana (dia), ele (o Sol) passava rápido por baixo da Terra e voltava novamente para iniciar outro dia.

Essa interpretação dos ateus tem vários problemas. Primeiro que expressões como “o Sol nasce” ou “o Sol se põe” são utilizadas até nos dias de hoje, e bem sabemos que o Sol não se movimenta em torno da Terra. Essa é  uma expressão popular que indica apenas o aparente movimento do Sol conforme parece ao observador humano.
Algumas versões bíblicas dizem que o Sol “se apressa” a voltar ao lugar onde nasce. Isso também é apenas uma forma de expressão que nem aparece em todas as traduções.  Na Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida, por exemplo, esse versículo foi traduzido da seguinte forma:

“E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, de onde nasceu”

O que o contexto desse versículo está tentando mostrar é que a Terra parece prosseguir no seu caminho predeterminado sem indicar qualquer mudança. Sem contar ainda que os hebreus já tinham noção da duração exata do dia e da noite (12 horas diurnas e 12 horas noturnas), como indica a palavra hebraica “yom” (lit. Dia = espaço de 24 horas, de sol a sol), apesar de que naquele tempo eles preferiam dividir o dia em “vigílias”, ao invés de frações de horas.

Os hebreus sabiam que a duração da noite é a mesma que a do dia, e portanto, a alegação de que o Sol volta “correndo” ao seu ponto inicial não faz o menor sentido. É apenas uma forma de expressão utilizada por algumas traduções bíblicas.

Numa terra plana, como imaginam os ateus, só poderia haver vida na parte superior dela, pois se as águas do mar podiam cair no abismo, as pessoas não poderiam viver na parte de baixo, pois cairiam também. A gravidade nesse caso não existiria.

Porém, a bíblia não só fala sobre a gravidade (Jó 26:7), como também mostra a noção de um planeta esférico onde há dia e noite.

O Senhor Jesus, ao falar sobre o arrebatamento dos escolhidos, diz que esse evento ocorrerá ao mesmo tempo de dia e de noite:

“Naquele dia, quem estiver no telhado de sua casa, não deve descer para apanhar os seus bens dentro de casa. Semelhantemente, quem estiver no campo, não deve voltar atrás por coisa alguma.” (Lucas 17:31)

“Eu lhes digo: Naquela noite duas pessoas estarão numa cama; uma será tirada e a outra deixada” (Lucas 17:34).

Como pode um avento único acontecer durante o dia e durante a noite ao mesmo tempo? Isso seria impossível na Terra plana dos ateus, onde só há vida na parte de cima. Porém, é perfeitamente possível numa Terra esférica.

sábado, 27 de setembro de 2014

As Leis mosaicas foram baseadas no Código de Hamurabi?

ARGUMENTO: “Moisés plagiou o Código de Hamurabi ao escrever a Torá” 



Com essa afirmação os ateus militantes contestam a autoria divina das Leis mosaicas. Eles alegam que Moisés conhecia o Código de Hamurabi (conjunto de leis criadas na Mesopotâmia) e o utilizou para formular as Leis que aparecem na Torá (primeiros cinco livros da bíblia). Depois Moisés teria mentido aos hebreus dizendo que as Leis tinham sido entregues pelo próprio Deus. 

Os ateus se baseiam em certas semelhanças entre o Código de Hamurabi e as Leis de Moisés. O raciocínio deles é bem simples:


“O Código de Hamurabi é mais antigo que a Torá. O Código de Hamurabi e a Torá possuem pontos em comum. Logo, a Torá é um plágio do Código de Hamurabi”. 

Obviamente  isso não é suficiente para provar que Moisés plagiou Hamurabi, mas os neo-ateus não querem nem saber.

Eu poderia usar o mesmo argumento dessa forma:


"A Constituição dos Estados Unidos tem pontos em comum com a Constituição brasileira. A Constituição dos Estados Unidos é mais antiga que a do Brasil. Portanto a Constituição brasileira certamente foi COPIADA da Constituição dos Estados Unidos "
Isso faz sentido? Evidente que não! Mas é mais ou menos isso o que os neo-ateus estão dizendo no caso da Lei mosaica. 
 É claro que existem algumas semelhanças entre esses dois conjuntos de leis, como, por exemplo, o fato de Hamurabi e Moisés terem adotado a “lei de talião”. A “lei de talião” na verdade é um conceito de aplicação de pena que visa dar ao criminoso uma punição semelhante ao crime que ele cometeu. É o famoso “olho por olho, dente por dente”. Por exemplo: se o criminoso matou, ele deve morrer. Se furou o olho da vítima, deve ter seu olho perfurado também. O castigo deve ser semelhante ao crime. É uma tentativa de estabelecer uma proporção entre o dano que o crime causou e a punição ao criminoso.
Estela contendo o Código de Hamurabi. Hamurabi tinha mandado colocar a pedra em praça pública para que todos pudessem ver.

É normal que em sociedades parecidas (como era o caso dos israelitas e babilônios), as leis também tenham certas semelhanças (isso acontece até nos dias de hoje em várias nações). 

Porém também existem diferenças entre as Leis mosaicas e Hamurábicas:

*   O Código de Hamurabi é formado por 282 leis
*   A Lei mosaica tem 613 leis (mais que o dobro)
*   O Código de Hamurabi é puramente civil
*   A Lei mosaica, além de possuir leis civis, também possui leis religiosas
*   A Lei mosaica também possui um padrão moral muito superior ao do Código de Hamurabi.

A Lei mosaica não fazia distinção de classes sociais na hora do julgamento. Não importa se o cidadão era pobre ou rico – ele seria julgado da mesma forma: 


“Não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres, nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça” (Levítico 19:15). 

Já o Código de Hamurabi previa penas médias para ricos que prejudicavam os pobres e penas severas para os pobres que prejudicavam os ricos (Seção 196 – 205)

Se porventura alguém abrigasse um escravo foragido, ou o ajudasse em sua fuga, receberia pena de morte, de acordo com o Código de Hamurabi (Seção 15, 16)

A Lei mosaica, por sua vez, dizia que você não era obrigado a devolver o escravo (Deut. 23:15). Isso faz sentido, pois os escravos geralmente fugiam de senhores que os maltratavam. 

Crimes contra a propriedade eram punidos com a morte pelo Código de Hamurabi (Seção 6)

A Lei mosaica fazia com que o ladrão restituísse tudo o que roubou (Êxodo 22: 3)


Conclusão: Como se vê, a Lei mosaica não parece ser uma cópia do Código de Hamurabi, como afirmam os neo-ateus, mas somente um conjunto de leis com alguns pontos em comum ou semelhantes. Existem muitos pontos diferentes também. Em alguns pontos as diferenças são gritantes. Não há absolutamente nenhuma base convincente para sustentar a afirmação dos ateus militantes. O fato de a Lei mosaica também ter adotado a lei de talião não prova que Moisés cometeu plágio, até porque a lei de talião vigorou em muitas legislações remotas, sendo muito comum na Idade Média, inclusive. Será que todas essas legislações plagiaram o Código de Hamurabi? Acho muito improvável! 

sábado, 20 de setembro de 2014

Jean Wyllys e a (PLC 5002/13)


Jean Wyllys


O projeto de lei PL 5002/13 é de autoria do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Esse projeto de lei propõe que as pessoas possam mudar o seu nome nos documentos de acordo com o gênero que se identificam, e não mais de acordo com o sexo de nascimento. Em outras palavras, se você nasceu homem, mas "se sente mulher", você poderá exigir que seu nome masculino seja trocado por um nome feminino em todos os seus documentos, que continuarão com os mesmos números de RG e CPF. 

A lei também permitirá que pessoas maiores de 18 anos possam requerer intervenções cirúrgicas de mudança de sexo sem que seja exigido primeiro análises, tratamentos psicológicos e nem mesmo autorização judicial.

Ser homem ou mulher sempre foi uma questão biológica. Agora os ativistas gays querem que seja uma questão de escolha. Mas o gênero é como a velhice: a pessoa não escolhe ser idosa! Ou ela é ou não é. O idoso pode fazer plásticas para parecer mais novo, pode fazer exercícios para ficar em forma, pode usar roupas de jovem e até pintar os cabelos, mas continuará sendo idoso! Não há como mudar a natureza. Nasceu homem, vai ser homem para o resto da vida, não importa a "fantasia" que lhe coloquem. 

 Agora entra a parte mais polêmica: segundo esse projeto de lei, até mesmo crianças poderão entrar na justiça para conseguir o direito à cirurgia de mudança de sexo! Os responsáveis legais deverão fazer a solicitação para a cirurgia da criança. Porém, o mais bizarro nesse projeto de lei é que se os pais não estiverem de acordo, a criança  poderá recorrer à assistência da Defensoria Pública para pedir a autorização judicial. É mole? 

Uma vez autorizada, a cirurgia de mudança de sexo será feita na criança mesmo sem o consentimento dos pais. A lei, caso aprovada, dará a criança o poder de escolher, ao passo que tira dos pais o poder de proibir. 

É ai que fico pensando: será que uma criança tem capacidade para tomar uma decisão dessas? E se ela se arrepender depois? Será que vão costurar o “pingulim” de volta? Rs! 

Veja só que contraditório: nossa legislação foi baseada na ideia de que um adolescente de até 17 anos não é capaz de controlar plenamente suas reações e por isso não pode responder por seus atos criminosos.  A mídia traz todos os dias notícias de novos crimes cometidos por esses jovens (Di menores). 

Homens barbados, muitas vezes com mais de dois metros de altura, sendo tratados como “criancinhas inocentes” por nossa legislação ultrapassada.

  E de repente surge um ativista gay fanático querendo dar às crianças o poder de decidir se vão ou não fazer operação para mudar de sexo (independente da vontade de seus pais)! 

Se as crianças e adolescentes não são “intelectualmente maduros” para serem penalmente imputáveis, por que seriam então para decidir por conta própria se devem ou não fazer cirurgias de mudança de sexo? É muita contradição. 

Mas contradição é a marca registrada de Jean Wyllys!  Ele, um defensor ferrenho da “causa gay”, deu parecer favorável ao projeto de lei 1780/2011, que busca estabelecer o ensino da cultura Árabe,  tradição e religiosidade Islâmica nas escolas brasileiras:



 Será que ele ignora como os gays são tratados pelos muçulmanos? Em alguns países islâmicos como o Sudão, Somália, Arábia Saudita e Irã, a homossexualidade é um crime punível com a morte.
Gays são enforcados no Irã (republica islâmica do Irã)

 Mas parece que o deputado Wyllys não está muito preocupado com isso! 

Outra coisa que me chama a atenção é que quando se trata de ensino religioso cristão nas escolas, ativistas esquerdistas como o Jean Wyllys só faltam ter “um ataque de pelanca”! Eles dizem que o Estado é laico e que esse tipo de ensino não pode fazer parte do currículo escolar. Mas o ensino da cultura teocrática islâmica pode?  Interessante isso! 



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A soma de um suposto título do papa é 666?

Olá leitores! Hoje estou inaugurando uma nova categoria de assuntos em meu blog (Curiosidades gerais). Nessa nova categoria eu vou colocar artigos que fogem um pouco do tema do blog. Ai quando eu estiver com o saco cheio de tanto falar sobre o neo-ateísmo, posso escrever sobre outros temas...Rs! Esperto que gostem. Vou começar falando sobre o polêmico cálculo que os adventistas fizeram para identificar o papa como a besta da profecia bíblica. Antes de tudo, quero deixar bem claro que não sou católico e nem adventista, ok? Boa leitura:



No livro de Apocalipse capítulo 13, versículo 18, a bíblia lança um desafio: “Quem for capaz, interprete esse código: os valores numéricos das letras do nome da criatura (Besta), somam 666 (Tradução publicada pela Liga Bíblica Mundial).

 Ok! O número da besta é 666. Mas como fazer o cálculo para identificar o nome correto? Muitos religiosos têm se esforçado para fazer esse cálculo. Os adventistas, por exemplo, fizeram esse cálculo usando um suposto título dos papas: "Vicarius Filii Dei", e chegaram à conclusão de que esse título, somado, equivale a 666, portanto a besta do Apocalipse seria um papa (Vide: Daniel e o Apocalípse de Uriah Smith em PDF ).

O problema é que não existe nenhuma evidência concreta de que os papas utilizem oficialmente esse título. Smith, por exemplo, se baseia no relato de duas testemunhas que dizem ter visto a inscrição na coroa papal quando estiveram em Roma. Os adventistas já fizeram até mesmo uma investigação para descobrir se essa inscrição realmente aparece na coroa papal, mas nada foi descoberto (Advent Review and Sabbath Herald, July 27, 1905, p. 10).

Veja como o cálculo aparece no livro de Smith:

V = 5
 I = 1
 C = 100
 A
 R
 I = 1
 U (antigamente, V) = 5
 S
 F
 I = 1
 L = 50
 I = 1
 I = 1
 D = 500
 E
 I = 1
Somando estes números temos 666.

Os críticos afirmam que os adventistas manipularam esse cálculo, pois o número “IV” foi separado em dois números distintos “I” e “V”, para que a soma desse exatamente 666. Portanto, o que era para ser somado como 4, tornou-se 6:

VICARIUS FILII DEI
VI+C+IV+I+L+II+D+I
6+100+4+50+1+2+500+1 = 664

 Eles até fizeram um cálculo parecido com o nome de Ellen Gould White, uma profetiza da igreja adventista:

ELLEN GOULD WHITE
L+L+V+L+D+V+V+I
50+50+5+50+500+5+5+1 = 666


A verdade é que ninguém ainda decifrou esse enigma bíblico.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A história de Jesus foi inspirada na história de Hórus?

ARGUMENTO: “Jesus nunca existiu. Toda história de Jesus é uma cópia da história do deus egípcio Hórus”




     Existe um documentário amador muito popular na Internet chamado Zeitgeist, que em alemão significa “espírito de época”. Esse documentário tenta mostrar um suposto paralelo entre a história de Jesus e  mitos antigos, e por isso vem sendo muito citado por neoateus desejosos por “provar” que a história de Jesus é apenas uma cópia da história de um antigo deus egípcio chamado Hórus.

     Segundo Zeitgeist, Hórus teria:

* Nascido de uma virgem
* Teria nascido no dia 25 de dezembro
* Seu pai era chamado "Seb" (José)
*Sua mãe era chamada "Isis-Meri"
*Teria nascido em uma manjedoura
* Teria sido adorado por três reis
* Teve 12 discípulos
* Foi crucificado
* E ressuscitou
* Hórus era representado por uma cruz

     Notou alguma semelhança com a história de Jesus? É claro que sim, não é? Pois essa é a própria história de Jesus, e não a de Hórus.

     Na verdade os neoateus manipularam a história de Hórus para fazê-la ficar idêntica à história de Jesus.

Chris Forbes


     Segundo o Dr. Chris Forbes, um especialista em história da religião, o documentário já começa errando ao dizer que Hórus era o “deus-sol”, quando na verdade ele era considerado o “deus-céu”. Rá era o deus-sol dos egípcios.


Hórus nasceu de uma virgem?


     Segundo Forbes, a deusa Ísis, mãe de Hórus, não era virgem, e não há absolutamente nada nas fontes egípcias indicando que ela era virgem. Na verdade a mitologia egípcia ensina que a mãe de Hórus era casada com Osíris, seu próprio irmão.

Hórus nasceu no dia 25 de dezembro?


     Dificilmente a mitologia egípcia iria dizer que Hórus nasceu em dezembro, visto que dezembro é um mês latino e o calendário egípcio era completamente diferente. Aliás, apesar de a igreja católica comemorar tradicionalmente o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro, todos sabem que a data real do nascimento de Jesus é desconhecida.  De acordo com a mitologia egípcia Hórus teria nascido no mês de KHOIAK, o que corresponde a novembro em nosso calendário (Horus born during the month of khoiak - Traditional Festivals: A Multicultural Encyclopedia página 223). 

A mãe de Hórus era chamada de "Isis-Meri"

     Na tentativa de criar um paralelo entre a história de Jesus e a história de Hórus, os neoateus alegam que a deusa Ísis, mãe de Hórus, também era chamada de "Meri", um nome que lembra muito o de Maria, mãe de Jesus. Acontece que Ísis nunca foi chamada de Meri nos escritos egípcios. Além disso, na língua egípcia Meri não é um nome pessoal, mas um adjetivo que significa "amada" (ex: mr-ee = amada).

O pai de Hórus era chamado de "Seb" (José)

     Outra mentira! O nome "Seb" não tem nenhuma ligação com o nome hebraico José. Na verdade os textos egípcios citam um tal de "Geb",  avô de Hórus. 

Hórus nasceu numa manjedoura?


     De acordo com a mitologia egípcia Hórus nasceu em um pântano, e não numa manjedoura. (James Frazer - Adonis, Attis, Osiris página 8). 

Hórus foi adorado por 3 reis


     A mitologia egípcia não menciona isso em nenhum lugar. 

Hórus teve 12 discípulos

     A mitologia egípcia diz que Hórus teve discípulos e seguidores (Shemsu-Heru), mas nunca em número de 12. Segundo os escritos egípcios Hórus teve 4 discípulos (The Gods of Egypt página 61).

Hórus foi crucificado e depois ressuscitou 


     De acordo com a mitologia egípcia Hórus foi assassinado e teve seu corpo cortado em vários pedaços, os quais foram jogados na água. Depois disso ele seguiu o seu caminho pelo mundo dos mortos. Não há na mitologia egípcia qualquer informação de que ele tenha ressuscitado, e muito menos de que ele tenha sido crucificado.      


Hórus era representado por uma cruz

"Ankh" - Chave da vida ou do Nilo

     O objeto que os ateus militantes estão confundindo com uma cruz na verdade é uma chave e seu nome é "ankh", que seria a chave da vida ou chave do Nilo.







quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Bíblia diz que insetos têm 4 patas

ARGUMENTO: “A bíblia diz que insetos têm 4 patas, mas como nós sabemos, insetos têm 6 patas. Será que deus não conhece sua própria criação?”

Esse é um questionamento muito comum em sites ateístas. Veja o que a bíblia diz nesse trecho:

“Mas de todo inseto que voa, que anda sobre quatro pés, cujas pernas traseiras são mais compridas, para saltar com elas sobre a terra, estes comereis.  Deles, comereis estes: a locusta, segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador, segundo a sua espécie, o grilo, segundo a sua espécie, e o gafanhoto, segundo a sua espécie.” (Levítico 11: 21,22).

Obviamente, como se percebe no versículo em questão, a bíblia não está afirmando que “insetos têm 4 patas”, isso é um espantalho criado pelos ateus. Na verdade ela fala sobre insetos que andam sobre 4 pés ou patas, ou seja, insetos ortópteros, como o locusta, o grilo e o gafanhoto. Esses insetos possuem asas, andam sobre 4 pés (muitas vezes utilizam as patas traseiras para andar também) e possuem pernas traseiras mais compridas para poder saltar. A descrição bíblica está correta:



Era permitido aos hebreus alimentar-se desses insetos; e mesmo hoje, em certos lugares, como por exemplo no vale do Jordão, Gileade, Arábia e Marrocos, são considerados uma comida delicada (Dicionário Bíblico Universal – Buckland, pág. 170).

sábado, 26 de julho de 2014

Ouro enferruja?

ARGUMENTO: "Em Tiago 5:3 a bíblia diz que o ouro enferruja. Isso é ridículo!"



O versículo em questão diz o seguinte:

"O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias" (Tradução Nova Versão Internacional)
 Ao lermos esse versículo assim, de forma isolada, fora do contexto, temos a impressão de que a bíblia está afirmando literalmente que o "ouro e a prata enferrujam", mas essa não é a verdadeira intenção do texto. Primeiro vamos ver o que o versículo anterior diz:

"As vossas riquezas apodreceram..." (Tiago 5:2 - Tradução de PE. Matos Soares) 
O que o escritor bíblico quis dizer ao usar o termo grego "κατίωται" (lit. enferrujaram), é que as riquezas dos ricos opressores perderiam seu valor,  seriam corrompidas, diminuiriam. A referência ao ouro e a prata foi simbólica. Veja como essa passagem fica mais simples de ser compreendida nessa outra tradução:

 "O valor do seu ouro e da sua prata está caindo depressa..." (Tiago 5:3 - Edição Ilustrada do Novo Testamento Vivo, baseada nos princípios de tradução da bíblia The Living Bible).
O valor das riquezas daqueles ricos opressores estava "caindo depressa", ou seja, estava caindo num estado inferior ao que se encontrava antes, estava num processo de decadência. Por isso mesmo a palavra "enferrujar" foi utilizada, pois ferrugem significa "corrosão", e a palavra corrosão significa destruição, perda ou decomposição.

Mas será que o ouro e a prata não enferrujam mesmo?

Mesmo se a bíblia estivesse afirmando literalmente que o ouro e a prata enferrujam, ela não estaria errada, pois qualquer forma de oxidação de metais pode ser popularmente chamada de "ferrugem". O próprio óxido que se forma sobre os metais é chamado de ferrugem (Nova Enciclopédia Brasileira de Consultas e pesquisas p.672). E bem sabemos que assim como o ferro, que ao oxidar forma o óxido de ferro (Fe2O3), o ouro quando sofre oxidação forma o óxido de ouro (au2O3), e a prata forma o óxido de prata (Ag2O), tornando-se escura. Se os neo-ateus deixassem seus gibis e revistas pornográficas de lado, e estudassem um pouco sobre Química, saberiam disso!



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Lebres e coelhos ruminam?

ARGUMENTO: “A bíblia afirma que o coelho e a lebre ruminam (Levítico 11: 5-6). Será que o Deus bíblico não conhece a própria criação?”




Em primeiro lugar, é importante que o neo-ateu saiba que as palavras originais hebraicas “arnebeth” e “shaphan”, traduzidas como coelho e lebre em nossas bíblias, possuem significado incerto (etimologia obscura). Portanto, não se sabe ao certo se esses termos realmente representam os atuais coelhos e lebres. Os tradutores assim o estabeleceram, por julgarem mais conveniente.

 O mesmo aconteceu no caso do “beemote”, como comentei nesse artigo aqui.

Mas vamos supor que esses termos realmente estejam falando sobre as lebres e os coelhos atuais. Nesse ponto, encontramos um outro problema: o termo hebraico traduzido como “ruminar”, significa literalmente “elevar [ou levantar] aquilo que foi engolido”, e é o que, de fato, acontece no caso da lebre, tanto é que ela pode ser chamada de pseudo-ruminante.

Segundo o Dicionário Bíblico Imperial, o hábito da lebre, em repouso, de mastigar vez após vez o alimento que ingeriu algum tempo antes, sempre foi considerado popularmente como ruminar.
O que o povo hebreu do Antigo Testamento entendia por “ruminar”, não era o mesmo que a classificação científica moderna entende atualmente. O significado desse termo mudou com o tempo, assim como o significado de diversas palavras. A palavra "marechal", por exemplo, não significa atualmente o que significava antigamente. Em sua etimologia original, marechal significava apenas um "tratador de cavalos", mas atualmente essa palavra é usada em referência ao mais alto posto do exército. O sentido da palavra "ruminar" também mudou.

Portanto, não há base para se julgar a exatidão da declaração bíblica através da concepção restrita e relativamente recente do que é um animal ruminante. A observação das lebres e coelhos em anos mais recentes, contudo, indica que está envolvido mais do que a aparente ruminação.

François Bourlière escreveu:

"O hábito da 'coprofagia', ou de fazer o alimento passar duas vezes pelos intestinos, em vez de apenas uma, parece ser um fenômeno comum nos coelhos e nas lebres... No coelho selvagem, a coprofagia ocorre duas vezes por dia, e relata-se que a lebre européia tem o mesmo hábito... Crê-se que tal hábito provê esses animais de grandes doses de vitaminas B, produzidas por bactérias contidas no alimento que se acha no intestino grosso"(The Natural History of Mammals, 1964, p. 41).

A obra Mammals of the World acrescenta: "Isto pode ser similar à ruminação dos mamíferos ruminantes" (1964, Vol. 2, p.647).



sexta-feira, 28 de março de 2014

Bíblia diz que morcego é ave

Argumento:  “A bíblia classifica morcegos como aves – Levítico 11: 19”

O versículo em questão faz parte de uma lista de “aves” impuras (impróprias para a alimentação dos hebreus) na qual o morcego se encontra. Obviamente hoje em dia ninguém considera morcegos como aves, e sim como mamíferos. Apesar de a palavra "aves" aparecer na maior parte das traduções bíblicas, na época em que o livro de Levítico foi escrito, essas criaturas não eram classificadas literalmente como "aves", mas como "voadores". A palavra hebraica "עוֹף", traduzida em nossas bíblias como "ave", significa literalmente "voador". A palavra "aves" tem origem indo-européia e provavelmente nem existia nessa época. Portanto aquela lista de "aves" proibidas para o consumo, na verdade era uma lista de "voadores", e como sabemos, o morcego é um voador. Assim fica fácil compreender porque o morcego foi parar nessa lista.




O homem sempre tentou classificar os animais. Antes de chegarmos à classificação taxonômica moderna que você aprendeu na escola, existiram várias classificações diferentes das espécies (ou pelo menos tentativas de classificação). Cada sistema de classificação utilizava seus próprios critérios para classificar.


Aristóteles 


Há pelo menos 3 séculos antes de Cristo, Aristóteles criou uma classificação que separava os animais em duas classes distintas: “animais sem sangue vermelho” e “animais com sangue vermelho”. Depois de Aristóteles, outras classificações surgiriam, tais como, por exemplo, a classificação criada pelo naturalista John Ray (considerado o pai da história natural inglesa), e a classificação criada pelo naturalista sueco Carl Von Linné (1707-1778), mais conhecido como Lineu. 


Carl Von Linné


A classificação moderna, que conhecemos hoje, foi baseada nesse sistema criado por Lineu. Portanto Lineu é o pai da taxonomia moderna.

Lembrando que  “taxonomia” é a ciência que classifica atualmente os seres vivos.

Portanto é tudo uma questão de nomenclatura. 
Obviamente a bíblia utilizou a classificação das espécies da época em que foi escrita. Uma classificação bem simples, onde os animais eram classificados como terrestres, aquáticos e voadores. 
Não podemos dizer que essa ou as outras classificações que existiram antes da classificação atual estejam erradas. Elas apenas utilizavam outros critérios para separar as espécies.



Tenha sempre essas duas coisas em mente:

1- A bíblia não é nenhum compêndio de ciências, e por isso, não precisa ficar se atualizando todas as vezes que a ciência convencional resolve mudar o nome ou a classificação de alguma coisa. 
2- A bíblia não foi escrita só para que nós, cidadãos modernos e conhecedores da nova classificação taxonômica entendêssemos. Ela também foi escrita para que as gerações anteriores, que utilizavam outra classificação, entendessem. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Marcos 16: 9 ao 20 interpolação?

ARGUMENTO: "Os versículos de Marcos 16:9 ao 20 foram acrescentados por um escriba"


A imagem acima é oriunda de uma comunidade neo-ateísta do Facebook. Ela é um bom exemplo de como o neo-ateísmo tenta desonestamente promover suas idéias através de meias verdades.
O texto começa dizendo que Marcos 16: 9-20 "não se encontra nos manuscritos mais antigos", e por isso a passagem "é considerada uma interpolação feita por um escriba muito tempo depois de o livro ter sido concluído".

A verdade é que essa passagem não aparece em apenas dois dos manuscritos mais antigos (Codex Sinaiticus e  Codex Vaticanus), mas aparece em outros manuscritos antigos, assim como na vasta maioria dos manuscritos gregos provenientes de todas as partes do mundo antigo. Isso os neo-ateístas omitiram, é claro! Dessa forma muitos estudiosos da bíblia concluem que Marcos 16:9-20 é parte integrante da Palavra inspirada de Deus, pois é atestado pela maioria dos manuscritos antigos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Deus apoia a escravidão?

ARGUMENTO: "O Deus bíblico é um escravocrata, pois defende a escravidão"


Não há na bíblia uma proibição expressa da escravidão, apesar de a bíblia falar muito sobre o tema. A Lei de Deus tornou o tratamento aos escravos mais humano, e garantiu a eles muitos direitos, entretanto não proibiu essa prática. Em vista disso, muitos críticos contestam a bondade e justiça de Deus. Como um Deus que ensina que devemos amar ao próximo poderia permitir essa prática tão abusiva?

Em primeiro lugar, temos que ter sempre em mente que a bíblia foi escrita numa época diferente da nossa, em um contexto cultural completamente diferente também. A prática da escravidão era uma realidade comum naquela época, e não era vista como a vemos hoje.

Onde os críticos estão errando?



O que a palavra "escravidão" lhe traz à mente? Imagens de negros acorrentados, sendo forçados a trabalhar de graça? É comum que você veja a escravidão dessa forma, por ter o seu conceito sobre escravidão baseado na escravidão racial que contaminou nosso mundo nos últimos séculos. Acontece que a escravidão nos tempos bíblicos era bem diferente do tipo de escravidão que conhecemos. E é justamente ai que está o erro dos críticos. Eles associam aquela escravidão (que não foi proibida por Deus), com a escravidão racial abusiva que escandalizou o mundo. Podemos dizer que é um erro anacrônico. 

Como era a escravidão mencionada na bíblia?

Existem certos detalhes que os críticos desconhecem. 

Os escravos eram adquiridos de várias formas:

- Muitos deles eram prisioneiros de guerra (2Crônicas  28:8/ Daniel 1: 3,4). 
- Alguns ladrões se tornavam escravos para restituir o roubo com serviço (Êxodo 22:3)
- Um endividado poderia se tornar escravo de seu credor para pagar o que estava devendo através de seus serviços (2Reis 4:1)
- Algumas pessoas vendiam a si mesmas como escravas para ter seu sustento garantido (Levítico 25:39).

Mas é claro que a palavra "escravo" assusta, não é mesmo? Mas na bíblia a palavra "escravo" nem sempre tem o mesmo sentido com o qual estamos familiarizados! É uma palavra usada de forma ambígua. O escravo nos tempos bíblicos nem sempre era um "produto" ou "mercadoria". Geralmente ele era um trabalhador comum. Para entender isso basta conhecer um pouco a etimologia das palavras utilizadas pela bíblia para se referir aos escravos.
A bíblia usa pelo menos duas palavras para se referir aos escravos: "ebed" (hebraico) e "doulos" (grego).
Essas palavras podem ser usadas para se referir a um subordinado na escala social, como, por exemplo, um vassalo de um rei, que mesmo sendo um cidadão livre, podia ser chamado de "ebed ou doulos" (escravo ou servo). Até mesmo um rei poderia ser chamado de "escravo ou servo" dos deuses (por estar numa posição inferior). Portanto, é notório que as palavras traduzidas na bíblia como "escravo" podiam ser usadas em referência a qualquer pessoa em posição de subordinação, como um trabalhador diante de seu patrão, por exemplo (A History of Ancient Near Eastem Law - 2Vols - Raymond Westbrook - 2003).

Direito dos "escravos" garantidos pela Lei mosaica:

Direito a pelo menos um dia de descanso por semana (Êxodo 20:10)
Direito a indenização em caso de constrangimento (Êxodo 21: 8, 10)
Direito de se casarem com filhos ou filhas de seus senhores (Êxodo 21:9)
Direito a certos privilégios (Levítico 22:10-13)
Direito a alforria depois de um tempo de serviços prestados (Êxodo 21:2,5) (o escravo poderia abrir mão dese direito se quisesse continuar trabalhando para o seu senhor).
Direito a proteção contra agressões (Êxodo 21:20)
Direito a proteção contra danos físicos oriundos de agressões (Êxodo 21:26,27).

Alguns escravos tinham direito a remuneração, recebendo como jornaleiros, isso é, ganhando por jornada de trabalho (Levítico 25: 40).


Visto que a escravidão (servidão) era o único meio de subsistência para várias pessoas daquela época, Deus agiu bem em não proibir essa prática, e sim regulamentar. 




domingo, 22 de dezembro de 2013

Longevidade dos povos que viveram antes do dilúvio

ARGUMENTO: “A bíblia fala de pessoas que viveram 930 anos, 912 anos, 962 anos... isso é impossível e só mostra que a bíblia é um conjunto de mitos”



A narrativa bíblica mostra que as pessoas que viveram antes do dilúvio tinham uma longevidade enorme. Como hoje em dia ninguém vive tanto tempo assim, os neo-ateus questionam a veracidade dessas informações bíblicas. Vejam alguns exemplos:

Adão – viveu 930 anos (Gênesis 5:5)
Enos – viveu 905 anos (Gênesis 5:11)
Metusalém – viveu 969 anos (Gênesis Gênesis 5: 27)

Muito se tem debatido a respeito desses números. Seriam eles literais? Seriam esses números apenas expressões de predicados morais das pessoas mencionadas na genealogia? Seria um tipo de simbolismo? Não se sabe!

Fonte extra bíblica

Sabemos, no entanto, que a bíblia não é o único registro antigo a citar pessoas com idades tão avançadas. Existe um achado arqueológico de um tablete de argila que mostra uma lista dos reis sumérios (A Lista dos Reis Sumérios). Nessa lista, foi constatado que os reis mais antigos reinaram por longos anos (com uma longevidade extremamente excessiva), e os reis mais recentes, reinaram por períodos bem menores (a longevidade foi diminuindo com o tempo).



Essa diminuição na longevidade também é observada no registro bíblico. Na verdade a bíblia atribui essa diminuição na longevidade ao próprio Deus, que teria colocado um limite de 120 anos na longevidade humana após a corrupção geral do gênero humano:

“Então, disse o SENHOR: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos” (Gênesis 6:3).

Notamos em nosso dia a dia, que esse limite dificilmente é ultrapassado. Apenas alguns poucos sortudos conseguem ultrapassar essa barreira dos 120 anos. Veja abaixo, a lista das pessoas mais velhas do mundo (fonte: Wikipédia). Note que na lista somente uma pessoa conseguiu ultrapassar a barreira dos 120 anos:
#
Nome
Sexo
Data de Nascimento
Data de Falecimento
Idade
Idade em dias
Etnia
País
1
F
122 anos e 164 dias
44724
C
2
F
119 anos e 97 dias
43560
C
3
F
117 anos e 248 dias
42982
N
4
F
117 anos e 230 dias
42963
C
5
F
116 anos e 347 dias
42715
C
6
F
116 anos e 175 dias
42543
O
7
F
116 anos e 118 dias
42486
N
8
F
116 anos e 100 dias
42468
C
9
M
116 anos e 53 dias
42421
O
10
F
115 anos e 319 dias
42322
N
11
F
115 anos e 257 dias
42260
C
12
M
115 anos e 252 dias
42255
C
13
F
Pessoa viva
115 anos e 292 dias
42295
O
14
F
115 anos e 228 dias
42231
C
15
F
115 anos e 220 dias
42223
C
16
Mary Ann Rhodes
F
115 anos e 203 dias
42206
C
17
F
115 anos e 192 dias
42195
C
18
F
115 anos e 158 dias
42161
N
19
M
115 anos e 156 dias
42159
C
20
F
115 anos e 153 dias
42156
N
21
Julie Winnefred Bertrand
F
115 anos e 124 dias
42127
C
22
F
115 anos e 114 dias
42117
C
23
F
115 anos e 108 dias
42111
C
24
Hendrikje van Andel-Schipper
F
115 anos e 62 dias
42065
C
25
F
115 anos e 56 dias
42059
C
26
F
115 anos e 42 dias
42045
C
27
Koto Okubo
F
115 anos e 19 dias
42022
O
28
Chiyono Hasegawa
F
115 anos e 12 dias
42014
O
29
Annie Jennings
F
115 anos e 8 dias
42010
C
30
F
114 anos e 360 dias
41997
C
31
F
114 anos e 357 dias
41995
O
32
F
114 anos e 347 dias
41984
C
33
F
114 anos e 342 dias
41979
C
34
F
114 anos e 294 dias
41932
C
35
F
114 anos e 274 dias
41912
C
36
F
114 anos e 272 dias
41909
C
37
F
114 anos e 261 dias
41899
C
38
Venere Pizzinato
F
114 anos e 252 dias
41889
C
39
F
114 anos e 246 dias
41884
C
40
Hide Ohira
F
114 anos e 236 dias
41873
O
41
F
114 anos e 221 dias
41858
O
42
M.A.C.C.
F
114 anos e 220 dias
41857
C
43
Ura Koyama
F
114 anos e 218 dias
41856
O
44
F
114 anos e 218 dias
41855
N
45
Myrtle Dorsey
F
114 anos e 216 dias
41853
C
46
F
114 anos e 208 dias
41845
C
47
M
114 anos e 205 dias
41842
C
48
F
114 anos e 195 dias
41832
C
49
Grace Clawson
F
114 anos e 194 dias
41832
C
50
Tase Matsunaga
F
114 anos e 191 dias
41828
O
51
Yukichi Chuganji
M
114 anos e 189 dias
41826
O
52
Kame Nakamura
F
114 anos e 188 dias
41826
O
53
F
114 anos e 183 dias
41821
C
54
F
114 anos e 183 dias
41821
C
55
F
114 anos e 183 dias
41820
C
56
F
114 anos e 182 dias
41819
O
57
F
114 anos e 180 dias
41818
C
58
F
114 anos e 180 dias
41817
C
59
F
114 anos e 172 dias
41810
C
60
Ettie Mae Greene
F
114 anos e 171 dias
41808
C
61
Jeralean Talley
F
Pessoa viva
114 anos e 213 dias
41851
C
62
Irene Frank
F
114 anos e 150 dias
41787
C
63
Christina Cock
F
114 anos e 148 dias
41786
C
64
F
114 anos e 140 dias
41778
C
65
Emma Verona Johnston
F
114 anos e 117 dias
41755
C
66
Mamie Rearden
F
114 anos e 117 dias
41755
N
67
Susannah Jones
F
Pessoa viva
114 anos e 169 dias
41807
C
68
Bettie Chatmon
F
114 anos e 108 dias
41745
N
69
Odie Matthews
F
114 anos e 107 dias
41745
C
70
F
114 anos e 105 dias
41743
O
71
Asa Takii
F
114 anos e 94 dias
41731
O
72
Bernice Madigan
F
Pessoa viva
114 anos e 151 dias
41789
C
73
F
114 anos e 93 dias
41730
C
74
Elena Slough
F
114 anos e 93 dias
41730
C
75
Lucy Jane Askew
F
114 anos e 92 dias
41730
C
76
Mary Anna Boone
F
114 anos e 92 dias
41730
C
77
M.C.L.L.
F
114 anos e 91 dias
41729
C
78
Waka Shirahama
F
114 anos e 85 dias
41723
O
79
Delma Kollar
F
114 anos e 85 dias
41722
C
80
Joan Riudavets
M
114 anos e 81 dias
41718
C
81
Suekiku Miyanaga
F
114 anos e 74 dias
41711
O
82
Shige Hirooka
F
114 anos e 72 dias
41709
O
83
F
114 anos e 69 dias
41707
N
84
F
114 anos e 67 dias
41704
N
85
Leila Denmark
F
114 anos e 60 dias
41697
C
86
F
114 anos e 38 dias
41675
C
87
Amy Isabel Hulmes
F
114 anos e 22 dias
41660
C
88
Grace Thaxton
F
114 anos e 18 dias
41656
C
89
Minnie Ward
F
114 anos e 13 dias
41650
N
90
Arbella Ewing
F
114 anos e 9 dias
41647
N
91
F
114 anos e 8 dias
41646
C
92
Marie-Thérèse Bardet
F
114 anos e 6 dias
41644
C
93
Virginia Dighero-Zolezzi
F
114 anos e 4 dias
41642
C
94
Maria Redaelli-Granoli
F
113 anos e 364 dias
41637
C
95
M
113 anos e 354 dias
41626
C
96
Hatsue Ono
F
113 anos e 352 dias
41624
O
97
Elsie Thompson
F
113 anos e 350 dias
41623
C
98
Miriam Carpelan
F
113 anos e 350 dias
41622
O
99
Yasu Akino
F
113 anos e 348 dias
41620
O
100
F
113 anos e 348 dias
41620
C

É cientificamente possível que uma pessoa viva tanto?

Podemos dizer que é biologicamente inviável que uma pessoa hoje em dia viva tanto tempo como os indivíduos antediluvianos, mas não é cientificamente impossível. Talvez os fatores predominantes para a grande longevidade pré-diluviana não sejam propriamente o ambiente, dieta ou doenças, mas, sim, genética. Há um mecanismo no código genético que limita a idade do homem e dos animais.

As células de nosso corpo se renovam por um tempo, mas existe um limite que parece ser estipulado pelo telômero (uma estrutura que fica na ponta de cada cromossomo).



 Telômeros são pequenas repetições de informação genética, sendo que a cada divisão celular, uma divisão é deletada. O número de repetições num telômero indica quantas vezes a célula poderá ser duplicada. Quando o telômero é usado até o final, a célula não é mais duplicada. Isso mostra que os telômeros determinam a longevidade do organismo, sendo responsáveis pelo processo de envelhecimento celular. Se os telômeros tivessem mais repetições, certamente as pessoas viveriam muito mais.



 Quem sabe os indivíduos antediluvianos não tinham mais repetições em seus telômeros! Isso é uma hipótese razoável.  Lembrando também que uma enzima chamada telomerase pode dar a célula uma capacidade ilimitada de divisão. Assim como o telômero, talvez tenha existido um outro gene responsável pela longevidade (hipótese). Um gene que pode ter sido perdido através de erros no código genético. Se uma mudança única de uma base genética pode provocar o envelhecimento precoce (progeria), porque não o contrário? Fica ai a questão!